Ação de Lula contra EUA: Reciprocidade em Pauta

O presidente Lula usou a reciprocidade contra os Estados Unidos ao pedir a saída de um militar americano. Essa ação, embora diplomática, não gerou a mesma mobilização popular que o antigo 'tarifaço', segundo estudo da Ativaweb DataLab. Entenda os motivos por trás dessa diferença de impacto na opinião pública.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agiu ao aplicar a reciprocidade contra os Estados Unidos. Ele solicitou a saída de um militar americano do Brasil, uma resposta direta à expulsão de um delegado brasileiro pelos EUA. Essa postura de Lula e a reciprocidade na diplomacia é vista como um acerto político e internacional.

Contudo, o impacto dessa medida na opinião pública não gerou a mesma mobilização que outros eventos no passado. Diferente do “tarifaço” — um aumento de tarifas que atingiu a economia — o caso atual, envolvendo Alexandre Ramagem, não parece mover a população com a mesma intensidade. Essa percepção vem de pessoas próximas ao presidente e de uma pesquisa recente.

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Por que a reciprocidade de Lula é um acerto?

A decisão de usar a reciprocidade segue uma linha clara do governo Lula: não aceitar medidas americanas que possam prejudicar o Brasil sem uma resposta. Essa atitude mostra a defesa da soberania nacional. Além disso, existe um cálculo político. Donald Trump, ex-presidente dos EUA, tem uma imagem ruim no Brasil. Assim, uma ação contra os EUA, especialmente se associada a Trump, pode render pontos políticos internamente.

Entretanto, mesmo com esses pontos positivos na política externa, o caso atual não gerou a mesma repercussão que o tarifaço. Alek Maracajá, diretor da Ativaweb DataLab, explica que a pesquisa de seu instituto mostra uma mudança no comportamento digital. Ele afirma que o discurso de Lula contra os Estados Unidos, em outros momentos, teve um alcance maior.

O contraste: Lula e a reciprocidade versus o tarifaço

O estudo da Ativaweb DataLab comparou dois momentos. Em julho de 2025, o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump causou grande agitação. Naquela época, a internet registrou mais de 5,9 milhões de menções. Dessas, 58% criticavam a medida, e o mais importante, essas críticas vinham até mesmo de setores conservadores. Isso criou um momento raro de união nacional contra a medida.

Já em abril de 2026, a situação foi diferente. O monitoramento da Ativaweb sobre o discurso de Lula e a reciprocidade contra os EUA registrou mais de 3,1 milhões de menções. O resultado, contudo, foi oposto: 77% das menções eram negativas, apenas 11% positivas e 12% neutras. Ou seja, a mobilização foi menor e predominantemente negativa.

Por que a diferença na mobilização?

A principal razão para essa diferença está no impacto direto. O tarifaço, em 2025, afetava diretamente a economia brasileira. Empresários e trabalhadores sentiram o peso da medida. Isso fez com que o discurso de defesa da soberania nacional ganhasse força e unisse diferentes grupos. Eduardo Bolsonaro, por exemplo, acabou sendo visto como um vilão por muitos.

Agora, em 2026, o cenário é outro. Alek Maracajá descreve o discurso atual como “político e institucional”. Ele não tem um impacto econômico direto na vida das pessoas. Por isso, não conseguiu “furar a bolha” ideológica. As reações ficaram mais restritas aos grupos que já apoiam ou criticam o governo, sem criar uma onda de opinião nacional unificada.

Apesar da correção diplomática, a ação de Lula e a reciprocidade frente aos Estados Unidos, neste caso, não se traduziu em um grande capital político popular, como o tarifaço fez. A ausência de um impacto econômico direto limitou a capacidade de mobilização e de união da população em torno da causa.