O Musical Gal Costa está em cartaz em São Paulo, mostrando a vida da cantora entre os holofotes e os momentos pessoais. A peça, que fica no 033 Rooftop até 10 de maio, coloca Walerie Gondim no papel principal, explorando os lados de Maria da Graça Costa Penna Burgos. O espetáculo busca fugir do jeito comum de contar histórias biográficas, trazendo para o palco a complexidade da artista. Este musical oferece uma visão sobre os contrastes que marcaram a trajetória de Gal Costa, desde seus primeiros passos até o estrelato.
A Dualidade de Gal Costa no Palco
A encenação de “Gal – O musical” dura 150 minutos e apresenta passagens que exploram a dualidade. Três personagens, Ereskigal, Gilgamesh e Inana, interpretados por Badu Morais, Marco França e Fernanda Ventura, mostram o conflito entre o masculino e o feminino. Este embate simboliza as contradições na vida de Gal Costa, uma artista que viveu entre a força de sua arte e desafios pessoais. A peça expõe as luzes dos palcos, que representam a vida pública da cantora, e as sombras dos bastidores, que mostram uma vida particular com seus desafios.
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Gal, cujo nome verdadeiro era Maria da Graça Costa Penna Burgos, enfrentou essa dualidade existencial. Ela perdeu o pai cedo e cresceu com a mãe, Mariah Costa Penna, com quem tinha uma relação muito próxima. Essa complexidade fica mais clara no segundo ato do espetáculo, que pode ser visto de sexta a domingo no 033 Rooftop, no Complexo JK Iguatemi. Portanto, o musical não apenas conta uma história, mas aprofunda-se nos conflitos internos da artista.
Walerie Gondim no Musical Gal Costa
Sob a direção de Marilia Toledo e Kleber Montanheiro, Walerie Gondim interpreta Gal Costa. A atriz já havia se destacado em outro musical e agora convence no papel da cantora baiana. Com caracterizações que se aproximam muito da perfeição, Gondim representa Gal em todas as fases de sua vida. Ela vai da Gracinha introspectiva de Salvador à estrela que ganhou brilho no Rio de Janeiro, a partir de 1965. Assim, a performance de Gondim é um dos pontos altos do espetáculo.
Mesmo com a voz de Gal Costa sendo única, Gondim se sai bem nos números musicais. Ela brilha em canções mais rítmicas, como a marcha “Balancê” e a marcha-frevo “Festa do interior”. Contudo, em músicas mais complexas, como “O quereres”, a interpretação pode ter um impacto um pouco menor. Esta última canção encerra o espetáculo, resumindo a dualidade e a imprevisibilidade que guiaram a vida da artista. A atriz consegue transmitir a essência de Gal, que, apesar de sua alma introspectiva, se agigantava no palco.
A Estrutura Diferente do Musical Gal Costa
“Gal – O musical” busca se diferenciar dos formatos comuns de espetáculos biográficos. Esta escolha se mostra na forma como as canções são arranjadas no roteiro. A peça começa com “Vaca Profana”, de Caetano Veloso, uma escolha que já indica a intenção de inovar. Além disso, a abordagem das entidades e da dualidade de gêneros afasta a produção de uma simples linha do tempo. O objetivo é oferecer uma experiência mais profunda e simbólica sobre a vida e a arte de Gal Costa. Desse modo, o público tem a chance de ver um lado menos explorado da cantora.
