Ônibus escolar com porta amarrada expõe alunos em Cabo Frio

Mães de comunidades quilombolas em Cabo Frio denunciam condições precárias do ônibus escolar. Portas amarradas com corda, superlotação e veículos velhos colocam a vida dos alunos em risco. A comunidade busca soluções urgentes.

Crianças que vivem em comunidades quilombolas de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, enfrentam riscos diários no caminho para a escola. Mães de alunos das áreas rurais de Angelim, Araçá e Agrisa denunciam as condições do transporte. O ônibus escolar Cabo Frio que atende essas comunidades tem a porta amarrada com corda. Além disso, o veículo está sempre lotado, sem oferecer segurança para os estudantes.

Regina Severino Soares, que preside o quilombo Fazenda Espírito Santo, detalha a situação. Ela explica que crianças da creche até o Ensino Fundamental fazem um percurso de 40 minutos. O veículo é velho e apresenta muitos problemas. Além da porta amarrada, os assentos não têm cinto de segurança. A viagem acontece em uma estrada de terra com buracos. Ainda mais, a falta de cinto de segurança agrava o risco. “Não é um ônibus, é uma sucata que carrega os alunos da zona rural. Quebra com frequência”, afirma Regina, destacando a falta de qualidade do serviço.

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Problemas rotineiros no transporte escolar Cabo Frio

Os problemas com o ônibus escolar Cabo Frio se tornaram algo comum. Em um caso recente, na última quarta-feira (8), uma funcionária precisou segurar a porta durante todo o trajeto. Regina conta que a monitora, em vez de ajudar os alunos, teve que garantir que a porta, presa por uma corda, não abrisse. “Esse é o cenário que nossas crianças quilombolas estão passando. Virou rotina: ou o ônibus quebra ou chega atrasado”, ela completa. Esta falta de segurança impede o direito de ir e vir dos estudantes de forma segura.

A superlotação é outro ponto de reclamação dos pais. Fotos feitas pelas mães mostram a realidade: quatro crianças apertadas em um banco feito para duas pessoas. Esta situação traz mais desconforto e risco em caso de acidentes. Portanto, a preocupação dos responsáveis aumenta, pois veem seus filhos expostos a muitos perigos todos os dias. Além disso, a falta de espaço prejudica a mobilidade dentro do veículo.

Veículo velho e inseguro para os alunos

Loilca dos Santos, que trabalha como cozinheira, é mãe de uma adolescente que está no 8º ano do Ensino Fundamental. Para sua filha, que mora a cerca de uma hora da escola, o ônibus é a única opção de transporte. Loilca descreve o cenário: “Tudo é ruim. As crianças andam sem cinto, com o ônibus cheio de poeira e vidros quebrados”. Ela ainda relata um incidente sério da semana anterior, quando o ônibus estava com uma roda solta. “Isso coloca a vida dos nossos filhos em risco”, ela enfatiza.

A diferença no serviço oferecido também causa indignação. Loilca compara o transporte das áreas rurais com o do centro de Cabo Frio. Ela observa que, enquanto os ônibus que usam no centro são bons e têm ar-condicionado, os veículos destinados aos alunos quilombolas são os mais velhos e sem as condições mínimas. “Eles colocam o ônibus velho para cá. No centro de Cabo Frio, os ônibus são de melhor qualidade e com ar condicionado para as crianças. Aqui não tem nada disso”, ela lamenta. Assim sendo, a disparidade é visível e gera frustração.

Denúncias e a busca por solução para o ônibus escolar Cabo Frio

A comunidade já levou o problema ao conhecimento da Secretaria de Educação de Cabo Frio. Regina explica que a situação foi detalhada em um ofício. Este documento descreve as condições que as crianças enfrentam. O ofício aponta que as denúncias sobre a falta de qualidade do ônibus escolar neste trajeto já vêm de anos. A situação, segundo ela, chegou a um ponto de grande preocupação.

O ofício menciona registros de ônibus com rodas soltando durante o percurso. Além disso, fala sobre portas fechadas de forma improvisada com cordas e veículos parando por falta de combustível. Estas ocorrências expõem diariamente as crianças e adolescentes a graves perigos. Uma reunião online chegou a ser agendada para 17 de março com representantes da Educação. Contudo, Regina afirma que, mesmo após a reunião, nenhuma medida concreta foi tomada até o momento para resolver os problemas do ônibus escolar Cabo Frio. Os pais e a comunidade esperam uma solução rápida para garantir a segurança dos estudantes.