Golpe do falso advogado: cinco presos por esquema de fraude

A Polícia Civil do Paraná prendeu cinco pessoas envolvidas no golpe do falso advogado, que já enganou milhares de vítimas no Brasil. Entenda como o esquema funciona e as táticas usadas pelos criminosos para acessar dados e roubar dinheiro.

A Polícia Civil do Paraná prendeu cinco pessoas nesta terça-feira, 7 de maio, por suspeita de aplicar o golpe do falso advogado. As prisões aconteceram em São Paulo e no Ceará. Os investigados são acusados de enganar vítimas em todo o Brasil. Este esquema já causou prejuízos significativos, com mais de 3 mil pessoas afetadas apenas no Paraná.

O golpe do falso advogado funciona assim: os criminosos pegam dados reais de processos na Justiça, como nomes de partes, números de ações e valores. Com essas informações, eles se passam por advogados ou funcionários de escritórios de advocacia. Eles entram em contato com as vítimas pelo WhatsApp, usando uma comunicação que parece legítima.

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Geralmente, os golpistas convencem as pessoas a fazer pagamentos adiantados. Eles pedem dinheiro via PIX ou boleto para liberar supostos precatórios ou indenizações. Outra tática comum é induzir a vítima a espelhar a tela do celular. Ao fazer isso, os criminosos conseguem ver os dados bancários da pessoa e esvaziam suas contas.

Como o golpe do falso advogado engana as vítimas

Na delegacia de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, mais de 20 ocorrências sobre o golpe do falso advogado foram registradas só no último mês. Duas vítimas relataram um prejuízo que, somado, chega a 140 mil reais. Este número mostra a dimensão do problema e a eficácia das táticas dos criminosos.

As investigações da polícia revelaram que os golpistas usavam um ‘bot’, um programa automático, para buscar informações em massa nos sistemas públicos da Justiça. Assim, eles acessavam os dados dos processos e os compartilhavam em grupos de mensagens. Com esses dados em mãos, eles selecionavam as vítimas.

O delegado Gabriel Fontana, responsável pela investigação, explicou o processo. Ele disse que os criminosos “levantam o nome das pessoas, as partes envolvidas, os valores envolvidos nesse procedimento para que isso alimente o núcleo operacional, que é quem efetivamente entra em contato com a vítima e faz toda essa engenharia social para subtrair os valores das contas bancárias”.

A tecnologia usada no golpe do falso advogado

Um dos grupos de mensagens que a polícia identificou tinha pelo menos 44 integrantes. Neste grupo, os criminosos trocavam informações sobre processos e davam orientações sobre como aplicar os golpes. Esta organização mostra um alto nível de planejamento e coordenação entre os envolvidos.

Além disso, as investigações apontaram que o grupo simulava audiências judiciais para dar mais credibilidade ao golpe. Eles também usavam documentos falsos, que tinham logotipos do Tribunal de Justiça e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Essas ações ajudavam a enganar as vítimas, fazendo-as acreditar que estavam lidando com procedimentos legais legítimos.

Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, contou à RPC que perdeu 11 mil reais. Os golpistas disseram a ela que havia ganhado uma ação na Justiça e que tinha mais de 20 mil reais para receber. Para isso, ela precisaria participar de uma audiência, que na verdade era uma farsa.

A prisão destes cinco suspeitos é um passo importante para combater o golpe do falso advogado. A polícia continua investigando para desmantelar completamente o esquema e evitar que mais pessoas sejam enganadas por esta fraude.