Motoristas de Aplicativo Protestam Contra Nova Lei em SP

Motoristas de aplicativo em São Paulo se mobilizam em carreata contra o Projeto de Lei 152/2025, que busca regulamentar a categoria. Eles expressam insatisfação com a proposta, alegando que ela favorece as plataformas em detrimento dos direitos dos trabalhadores e dos valores justos de corrida.

Motoristas de aplicativo em São Paulo organizaram uma carreata para mostrar sua insatisfação com um projeto de lei. Eles se manifestaram nesta terça-feira, dia 14. O protesto foi contra a proposta que busca regular o trabalho de transporte de passageiros e entregas por meio de apps. O PL 152/2025 está em debate na Câmara dos Deputados, em Brasília. A categoria não aprova o projeto, pois teme por seus direitos e condições de trabalho.

A carreata percorreu avenidas conhecidas na Zona Sul da capital paulista. Entre elas, destacam-se a Luís Carlos Berrini e a Bandeirantes. O trajeto seguiu até a Praça Charles Miller, no Pacaembu, onde o ato terminou. A Polícia Militar e a CET acompanharam a manifestação, que reuniu cerca de 100 veículos. De modo geral, foi um ato de grande visibilidade.

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A votação inicial do PL 152/2025 estava agendada para a mesma terça-feira da carreata. Contudo, o projeto foi retirado da pauta na noite anterior. O pedido veio de José Guimarães (PT-CE), líder do governo. Isso mostra a pressão e a repercussão que o tema tem gerado entre os políticos e a sociedade. De fato, a mobilização teve impacto.

O que os Motoristas de Aplicativo Questionam?

O deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE) é o autor da proposta. Segundo os próprios motoristas, o texto favorece apenas as grandes empresas de aplicativos, como Uber e 99. Eles afirmam que o projeto não considera a voz de quem trabalha nas ruas. Além disso, não garante segurança ou valores justos para as corridas.

“A proposta não oferece nenhuma garantia para nós, seja de valores ou de segurança”, desabafou um dos manifestantes. “Eles [os deputados] estão priorizando somente as plataformas e o governo. Nós somos contra isso e também queremos nossos direitos”, completou ele. Portanto, a insatisfação é clara e baseada na percepção de falta de representatividade.

O g1 tentou contato com a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec). Esta entidade representa as empresas de aplicativos. O objetivo era ouvir sua versão sobre as reclamações dos motoristas de aplicativo. Entretanto, não houve retorno até a última atualização da notícia. A falta de diálogo por parte das empresas é um ponto de crítica. Por exemplo, a Amobitec não se manifestou.

Exigências dos Motoristas de Aplicativo e Problemas Atuais

Antunes, um dos porta-vozes da manifestação, explicou que os motoristas cobram “valores justos pelas corridas”. Ele destacou que as tarifas aplicadas pelos aplicativos são consideradas muito altas. Isso afeta tanto quem dirige quanto os passageiros. Por conseguinte, a situação é delicada para ambos os lados. Ademais, os trabalhadores enfrentam bloqueios considerados injustos pelas plataformas.

“Esses bloqueios geralmente acontecem por robôs, sem um processo humano de análise. Não temos nenhuma segurança sobre nosso ganha-pão”, pontuou Antunes. Em outras palavras, a falta de transparência e o impacto na renda são grandes preocupações. Sebastião Dantas, que dirige há oito anos para aplicativos, reforçou a preocupação.

Para ele, o PL não assegura os direitos da categoria. “Só fala dos nossos deveres e obrigações. Querem cobrar mais taxas de nós, enquanto as plataformas ficam livres para definir qualquer valor de corrida”, disse. “Eles não escutam os motoristas. Tem gente lá [na Câmara] que nunca entrou em um carro de aplicativo e está criando leis para a gente”, criticou Dantas.

A mobilização na capital paulista é um claro sinal de que os motoristas buscam diálogo e reconhecimento. O ato terminou na Praça Charles Miller, onde a categoria se concentrou. , eles esperavam conversar com representantes do setor e políticos que se opõem à proposta do PSD. Dessa forma, buscam apoio para suas reivindicações.

A discussão sobre a regulamentação dos serviços de transporte por aplicativo continua sendo um ponto de atrito. Os motoristas de aplicativo buscam um equilíbrio que garanta condições dignas de trabalho e remuneração justa. Enquanto isso, o projeto de lei tenta dar uma nova estrutura legal ao setor. O debate ainda está longe de um consenso, e a voz dos trabalhadores segue sendo fundamental nesse processo. Em conclusão, a situação exige atenção contínua.