Em Maricá, no Rio de Janeiro, uma novidade marca o futebol brasileiro. Pela primeira vez, um clube indígena formado apenas por jogadores de origem nativa vai competir em um campeonato oficial. O Esporte Clube Originários se prepara para sua estreia na Série C do Carioca, que é a quinta divisão do torneio estadual. Este time nasceu com um objetivo claro: abrir as portas do esporte para os povos originários e mostrar o orgulho de uma cultura muitas vezes deixada de lado.
A criação do E.C. Originários busca mudar a forma como a sociedade vê os povos indígenas. Tupã Nunes, presidente do clube e cacique da Aldeia Mata Verde Bonita, lidera a resistência dos Guarani Mbya em Itaipuaçu. Ele explica que a voz de seu povo nem sempre é ouvida. O clube é uma plataforma para essa voz, um caminho para a valorização e o respeito.
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A Luta e o Sonho do Cacique Tupã Nunes
Tupã Nunes, com 51 anos, carrega o cocar de liderança e a história de seu povo. Ele recebeu a equipe de reportagem em sua casa, à beira do Canal da Costa. Tupã conta que, na juventude, teve que escolher entre ser jogador de futebol e seguir a militância por sua comunidade. Aos 16 anos, a defesa de seu povo falou mais alto. Hoje, ele vê um sonho de vida se realizar através do E.C. Originários. A emoção é visível em suas palavras.
O cacique destaca a importância do futebol como ferramenta de resistência. Ele acredita que, por meio do esporte e da arte, as novas gerações indígenas podem alcançar reconhecimento. Isso ajudará a transmitir ao mundo a mensagem de que seu povo merece respeito. Eles merecem seu espaço original, onde sempre viveram. Esta é uma luta pela valorização da terra e da cultura, que encontra no campo de futebol um novo palco.
O Time do Brasil: Diversidade no Clube Indígena
Tupã Nunes não lidera apenas os cerca de 300 Guarani Mbya de Maricá. Como presidente do Originários, ele agora comanda atletas de pelo menos 14 etnias diferentes. Esses jogadores vêm de todas as partes do Brasil, representando a vasta diversidade indígena do país. No elenco, encontramos membros das aldeias Xekriabá, Potyguara, Pataxó, Guarani, Tupinikim, Kamaiurá, Guarani Nhandeva, Terena, Shanewana e muitas outras. Mais atletas devem chegar antes do primeiro jogo.
Cada jogador que veste a camisa do E.C. Originários é a semente de uma família. Eles trazem consigo o sonho de um povo e a força de suas origens. Seja do Xikrin, do Kaingang ou do Xingu, todos são guerreiros preparados para esta jornada. Eles entendem o que representam e o que vieram fazer em campo. A equipe não joga apenas por si, mas para mostrar ao mundo a riqueza de seus territórios sagrados, de suas matas e florestas, do que chamam de ‘pindorama’.
A estreia do E.C. Originários está marcada para o dia 3 de maio, contra o time do Barcelona. Este jogo será mais do que uma partida de futebol. Será um marco na história do esporte nacional, um símbolo de resistência e união. O clube indígena de Maricá não apenas disputa um campeonato. Ele constrói um futuro onde a voz dos povos originários é ouvida e celebrada em um dos esportes mais amados do Brasil.
