O Supremo Tribunal Federal (STF) está perto de uma decisão importante sobre as cotas raciais em universidades. De fato, o julgamento pode mudar o cenário da educação superior em Santa Catarina. A maioria dos ministros já votou para derrubar uma lei estadual que proíbe essas ações afirmativas. Ou seja, a discussão foca na constitucionalidade de uma norma catarinense. Ela tentou barrar a reserva de vagas baseadas em critérios étnico-raciais, consequentemente, gerando um debate sobre igualdade e acesso ao ensino.
O STF e a Lei de Cotas em Santa Catarina
A lei em questão foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina em dezembro. Em seguida, o governador sancionou a norma em janeiro. Ela busca impedir o uso de cotas raciais e outras ações afirmativas para entrar no ensino superior de instituições que recebem dinheiro do estado. No entanto, o STF, a mais alta corte do país, está analisando o caso. O objetivo é verificar se essa proibição está de acordo com a Constituição Federal. A votação, que acontece no plenário virtual, já conta com cinco votos a favor da inconstitucionalidade da lei.
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Como o Julgamento Está Indo
Até o momento, cinco ministros já se manifestaram contra a lei catarinense. O relator da ação, Gilmar Mendes, foi o primeiro a votar. Ele argumentou que a norma estadual desconsidera decisões anteriores do próprio STF. Essas decisões já reconheceram a validade e a importância das ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais, as chamadas cotas raciais. Além de Mendes, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes também acompanharam esse entendimento. Para que a lei seja declarada inconstitucional, é preciso que a maioria dos dez ministros do plenário vote nesse sentido. Portanto, ainda faltam os votos de Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça, Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Detalhes da Lei Catarinense sobre Cotas
A legislação de Santa Catarina buscava proibir a reserva de vagas para estudantes, professores e técnicos por meio de cotas de gênero, para indígenas, pessoas trans e outras ações afirmativas. Contudo, a própria lei abria exceções. Ela permitia a reserva de vagas para pessoas com deficiência (PCDs), para alunos vindos de escolas públicas e para aqueles que se encaixavam em critérios de renda. Essa distinção entre os tipos de cotas é um dos pontos centrais da discussão no Supremo. Nesse sentido, a corte avalia a possibilidade de proibição das cotas raciais em universidades enquanto outras são permitidas, especialmente quando as cotas raciais já têm respaldo constitucional.
Os Argumentos do Relator Gilmar Mendes
Em seu voto, o ministro Gilmar Mendes deixou claro que a Lei Estadual 19.722/2026 de Santa Catarina ignora uma jurisprudência já consolidada. Primeiramente, ele lembrou que o STF já confirmou a constitucionalidade das ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais. Além disso, Mendes destacou que as políticas de cotas não se baseiam apenas em decisões da Corte. Elas também têm apoio em normas internacionais que o Brasil adotou, e que possuem o mesmo peso de uma emenda constitucional. Ele afirmou que a ideia de que cotas raciais violam o princípio da igualdade é uma premissa inconstitucional. Dessa forma, a lei catarinense, ao proibir essas cotas, estaria indo contra os fundamentos da Constituição e os direitos humanos.
O Impacto das Cotas Raciais nas Universidades
A decisão do STF sobre as cotas raciais em universidades de Santa Catarina terá um impacto significativo. As ações afirmativas buscam corrigir desigualdades históricas e promover a diversidade no ensino superior. Elas permitem que grupos que foram marginalizados tenham acesso a oportunidades educacionais que, de outra forma, seriam mais difíceis de alcançar. Por exemplo, a proibição de cotas raciais pode reduzir a representatividade de estudantes negros e indígenas em cursos universitários, perpetuando ciclos de exclusão. A manutenção ou derrubada da lei de SC pode, assim, influenciar futuras discussões sobre políticas de inclusão em outros estados brasileiros.
Por Que a Decisão do STF é Importante
Este julgamento reforça o papel do Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição. A Corte tem a responsabilidade de garantir que as leis estaduais estejam em conformidade com os princípios e direitos estabelecidos na Carta Magna. Consequentemente, a decisão sobre as cotas raciais em universidades em Santa Catarina não afeta apenas o estado. Ela serve como um precedente importante para todo o país. A expectativa é que, ao final do julgamento, haja uma clareza maior sobre os limites e a validade das políticas de ação afirmativa no Brasil.
