Gêmeos de Pais Diferentes: A Ciência Por Trás do Fenômeno Raro

Um caso na Colômbia chamou a atenção para um fenômeno raro: gêmeos podem ter pais diferentes. Entenda como a superfecundação heteropaternal acontece e por que ela pode ser mais comum do que se pensa, segundo especialistas.

Um caso recente na Colômbia trouxe à tona uma situação que pode surpreender muitas pessoas: gêmeos de pais diferentes. Embora poucas histórias como esta cheguem ao conhecimento público, a ciência explica como isso é possível. Por outro lado, especialistas afirmam que o fenômeno pode ser mais comum do que se imagina. Afinal, existem poucos registros documentados na literatura científica.

O professor Paulo Gallo, especialista em reprodução humana, explica que a maioria destes casos é descoberta apenas com um teste de paternidade. Geralmente, tais exames em gêmeos só acontecem em situações de disputa judicial. Por exemplo, em casos de pensão alimentícia. Além disso, diferenças físicas muito claras entre as crianças também podem levar a essa investigação. Contudo, características isoladas, como a cor dos olhos, não costumam ser motivo para pedir um teste.

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Como acontece a superfecundação heteropaternal

Para uma gravidez acontecer, um óvulo liberado durante o ciclo menstrual precisa encontrar um espermatozoide. Normalmente, a mulher libera apenas um óvulo por ciclo. Contudo, em alguns casos, o corpo pode liberar mais de um óvulo no mesmo período. Isso aumenta a chance de uma gestação de gêmeos fraternos, ou seja, não idênticos.

Essa ovulação dupla é considerada incomum de forma natural. No entanto, ela pode acontecer. É mais frequente, por exemplo, em tratamentos de fertilidade que estimulam os ovários. Assim, quando mais de um óvulo está disponível, a possibilidade de ter gêmeos de pais diferentes aumenta consideravelmente.

É importante entender os tempos de vida das células reprodutivas. Os óvulos permanecem vivos por cerca de 24 horas após serem liberados. Já os espermatozoides podem sobreviver por 3 a 4 dias dentro do corpo feminino. Dessa forma, se uma mulher tem mais de uma ovulação no mesmo ciclo e tem relações sexuais com dois homens diferentes em um curto espaço de tempo. Ela pode, assim, engravidar de dois bebês que são gêmeos de pais diferentes.

Por que os casos de gêmeos de pais diferentes não são tão conhecidos?

A incidência de gestação gemelar varia de 1% a 2% das gestações. De cada quatro pares de gêmeos que nascem, três são bivitelinos (fraternos). Eles são gerados de óvulos e espermatozoides distintos. Apenas um par é idêntico (univitelino), que nasce da divisão de um único embrião. Portanto, a superfecundação heteropaternal se encaixa no grupo dos gêmeos fraternos.

O professor Gallo reforça que episódios de gêmeos de pais diferentes podem ser mais comuns do que imaginamos. Isso ocorre porque os testes de paternidade não são uma rotina para todas as gestações de gêmeos. Sem uma razão forte, como uma disputa judicial ou diferenças físicas muito marcantes, a maioria das pessoas não pede esse tipo de exame. Consequentemente, muitos casos podem passar sem que ninguém saiba. Além disso, a complexidade biológica do fenômeno é um fator.

A complexidade da reprodução humana é vasta. Entender fenômenos como a superfecundação heteropaternal ajuda a compreender melhor como o corpo funciona e as muitas formas pelas quais a vida pode se desenvolver. Por isso, a ciência continua a investigar e a desvendar esses mistérios.