Taxa das blusinhas: Receita dos Correios Cai com Encomendas Internacionais

A taxa das blusinhas, programa Remessa Conforme, gerou uma queda drástica na receita dos Correios com encomendas internacionais. Entenda as causas e os impactos.

A taxa das blusinhas, como ficou conhecido o programa Remessa Conforme, trouxe grandes mudanças para os Correios. A empresa, que antes tinha o controle quase total da distribuição de pacotes internacionais no Brasil, viu sua receita cair bastante. Dados recentes mostram que a participação dessas encomendas no faturamento da estatal diminuiu de 22% em 2023 para cerca de 8% em 2025. Essa queda aponta para um novo cenário no transporte de produtos que chegam de fora.

Entenda o Impacto da Taxa das Blusinhas nos Correios

O programa Remessa Conforme, criado pelo Ministério da Fazenda, alterou o mercado de encomendas estrangeiras. Antes, os Correios tinham o monopólio da distribuição desses pacotes no Brasil. Com a nova regra, outras empresas de transporte puderam entrar nesse segmento. Essa mudança impactou diretamente a receita da estatal. Em 2024, os Correios registraram R$ 3,9 bilhões com encomendas internacionais. Este valor já representava uma redução de R$ 530 milhões em comparação com 2023. Para 2025, a queda foi ainda mais acentuada, com a receita chegando a R$ 1,3 bilhão, uma diminuição de R$ 2,6 bilhões em relação ao ano anterior.

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Um documento interno dos Correios, da Diretoria Econômico-Financeira (Diefi), mostrou que o Remessa Conforme expôs fragilidades da empresa. A diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo afirmou que a perda da exclusividade no mercado de encomendas internacionais evidenciou a falta de preparo da empresa para as novas tendências de consumo.

As Regras do Programa Remessa Conforme e a Taxa das Blusinhas

Em 2023, o governo federal implementou o programa Remessa Conforme. Ele passou a cobrar um imposto de importação de 20% sobre compras internacionais com valor até US$ 50. Antes disso, essas compras estavam livres de imposto para empresas. Por essa razão, a medida ficou conhecida como a “taxa das blusinhas”. Além da taxação, a nova lei permitiu que outras transportadoras entregassem mercadorias internacionais dentro do Brasil. Assim, os Correios deixaram de ser a única opção para a distribuição desses produtos. Um estudo da própria empresa, feito no início de 2025, estimou um prejuízo de receita de R$ 2,2 bilhões após a implementação do programa. Isso mostra a dimensão do impacto financeiro para a estatal.

Queda no Volume de Encomendas Internacionais

Não foi apenas a receita que diminuiu. O volume de encomendas internacionais transportadas pelos Correios também sofreu um grande corte. Um documento interno revela que a empresa transportou cerca de 110 milhões de objetos a menos nos primeiros nove meses de 2025, se comparado ao mesmo período de 2024. Em números exatos, os Correios levaram 149 milhões de pacotes até setembro de 2024. No entanto, no mesmo período do ano seguinte, esse número caiu para apenas 41 milhões de encomendas.

A popularização das compras em sites estrangeiros nos últimos anos fez com que a receita com pacotes de fora representasse quase 25% do faturamento total da empresa em seu auge. Hoje, essa participação está em torno de 8,8%. Por exemplo, em julho de 2024, a empresa transportou 21 milhões de pacotes e gerou uma receita de R$ 449 milhões. Os dados deixam claro o cenário de transformação que os Correios enfrentam com a nova dinâmica do comércio internacional.