O Conselho Fiscal do Corinthians deu seu parecer sobre as contas do Corinthians referentes ao ano de 2025, recomendando a aprovação, mas com algumas ressalvas importantes. A decisão ocorreu após reuniões no Parque São Jorge, entre os dias 22 e 23 de abril. O balanço financeiro, que mostra um déficit de mais de R$ 143 milhões no ano passado, agora será avaliado pelo Conselho Deliberativo em uma votação marcada para a próxima segunda-feira.
Apesar da recomendação de aprovação, os problemas identificados são significativos. O órgão fiscalizador apontou diversas falhas na gestão do clube, que exigem uma atenção imediata. Isso inclui, por exemplo, a falta de transparência na divulgação mensal das demonstrações financeiras. Além disso, a necessidade de uma reestruturação profunda e rápida na administração foi destacada como crucial para a saúde financeira do time.
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Entenda as Principais Ressalvas nas Contas do Corinthians
O relatório do Conselho Fiscal não poupou críticas a pontos específicos da administração. Um dos destaques é a ausência de controles financeiros adequados. Isso acontece pela falta de procedimentos documentados. Outro problema grave é o uso de dinheiro em espécie para pagar despesas, o que dificulta o rastreamento e a fiscalização dos gastos. Portanto, essas práticas geram preocupação sobre a transparência e a segurança dos recursos do clube.
Adicionalmente, o Conselho questionou a inclusão de uma transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) no exercício de 2025. O acordo, na verdade, foi assinado somente em 2026. Esta inconsistência também foi apontada por uma auditoria independente que analisou as contas do Corinthians. A dívida renegociada com a União, que era de R$ 1,2 bilhão, caiu para R$ 679 milhões, gerando um desconto de 46,6%. Essa negociação diminuiu a dívida bruta total do clube em cerca de R$ 217 milhões. Em dezembro, a dívida bruta ficou em R$ 2,723 bilhões, um valor menor que os R$ 2,8 bilhões de novembro.
Contexto Político e o Impacto nas Finanças do Corinthians
Mesmo com todas as inconsistências, o Conselho Fiscal aprovou as contas por unanimidade, mas sempre com as ressalvas mencionadas. A justificativa para essa decisão foi o entendimento de que 2025 foi um ano atípico para o clube. O período foi marcado por grande instabilidade política, que incluiu o impeachment de um presidente em maio e a realização de novas eleições em agosto. Dessa forma, o Conselho considerou o cenário um fator agravante para a situação financeira.
Um documento obtido pelo ge reforça essa visão, afirmando que a situação administrativa e financeira do Corinthians não surgiu apenas em 2025. Na verdade, ela se acumulou ao longo de vários anos anteriores. O ano de 2025, contudo, foi particularmente conturbado. Ele teve uma séria crise administrativa e financeira, piorada pela instabilidade política que culminou na saída do presidente daquele ano. Por exemplo, a gestão de 2025 contou com cinco meses sob o ex-presidente Augusto Melo e sete meses sob o comando de Osmar Stabile, que assumiu a presidência de forma provisória.
Durante a reunião, Haroldo José Dantas da Silva, que presidia o Conselho Fiscal, participou, mas deixou o encontro antes da deliberação final. Ele informou que se absteria da votação. Apesar de sair mais cedo, Haroldo assinou a ata oficial da reunião posteriormente. Isso mostra a complexidade e as diferentes opiniões envolvidas na análise das contas do Corinthians.
