A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, confessou que ajudou na fuga de 16 detentos da unidade em dezembro de 2024. Ela disse que agiu a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior. Esta revelação faz parte de uma delação premiada que Joneuma assinou com o Ministério Público da Bahia. As investigações do órgão levaram à prisão do político na quinta-feira, dia 16. Documentos da delação, datados de 9 de fevereiro deste ano, mostram os detalhes do caso. Joneuma Neres, que ficou presa por mais de um ano e agora cumpre prisão domiciliar, explicou como ela e outros participaram do crime que culminou na fuga de detentos na Bahia.
Durante seu depoimento, Joneuma Neres assumiu ter conhecimento sobre a negociação e o plano para a saída dos presos. Ela admitiu que foi negligente em suas ações. A ex-diretora contou que Uldurico Júnior a indicou para o cargo e que eles tiveram um relacionamento amoroso. Essa ligação entre a diretora e o político é um ponto central na investigação. Ela conheceu Uldurico Júnior por meio da deputada Claudia Oliveira, enquanto trabalhava na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas, onde ocupava um cargo administrativo.
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A Ligação entre a Ex-diretora e o Ex-deputado
Joneuma relatou que Uldurico já havia indicado outros diretores para comandar a unidade. O político costumava visitar os presos e, em algumas ocasiões, levava outras pessoas, como vereadores, para essas visitas. Essas conversas com os internos aconteciam “de portas fechadas”, algo que a ex-diretora considerava “normal”. A nomeação de Joneuma como diretora do Conjunto Penal de Eunápolis ocorreu em 14 de março de 2024. No dia seguinte, Uldurico Júnior apareceu no presídio acompanhado de várias pessoas, incluindo o candidato a vereador Alberto Cley Santos Lima.
Assim como fazia em Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior pediu para conversar com os líderes de todas as facções criminosas que estavam presos em Eunápolis. Joneuma afirmou que atendeu ao pedido porque se sentiu pressionada. Uma semana depois, Uldurico Júnior voltou à unidade com as mesmas pessoas para conversar com os mesmos internos. Entre os detentos estavam “Ednaldo”, conhecido como Dadá, líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis; “Sirlon”, o Saguin, apontado como sub-líder; “Luquinhas”, “Juan Pablo” e “Cascão”, representantes de cada ala. Esta série de eventos mostra a influência do ex-deputado na rotina do presídio e a preparação para a fuga de detentos na Bahia.
Regalias e Visitas no Presídio de Eunápolis
Joneuma confessou que liberou regalias para os internos a pedido do ex-deputado federal. A investigação do Ministério Público da Bahia confirmou esses fatos. A lista de benefícios incluía um cardápio especial e até um freezer dentro da unidade prisional. Isso demonstra como a estrutura interna do presídio foi comprometida, facilitando as ações dos detentos. Além disso, a presença constante do ex-deputado e seu séquito nas dependências do presídio gerava um ambiente de pressão e favorecimento.
O caso da fuga de detentos na Bahia ganhou destaque com a delação premiada, que trouxe à tona detalhes sobre a relação entre a direção do presídio e figuras políticas. A colaboração de Joneuma Silva Neres foi crucial para o avanço das investigações. As informações reveladas expõem uma rede de influência e corrupção que permitiu a ação criminosa. As autoridades continuam a apurar todos os envolvidos e as consequências dessa complexa operação.
