A policial militar Yasmin Cursino Ferreira recebeu uma promoção a soldado. Isso aconteceu apenas duas semanas depois de ela matar Thawanna Salmázio com um tiro no peito, na Zona Leste de São Paulo. O caso da PM que atirou levanta questões sobre os protocolos da corporação e a celeridade da justiça. A efetivação da policial, que tinha 21 anos, foi publicada no Diário Oficial, mesmo com ela sendo alvo de investigações.
Promoção da PM que Atirou em Meio à Investigação
A policial Yasmin, que antes era estagiária, agora ocupa o posto de soldado. Contudo, ela está afastada das ruas e enfrenta uma dupla investigação. A Corregedoria da Polícia Militar e o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil apuram os detalhes do ocorrido. A promoção neste cenário complexo gera debates sobre os critérios internos da corporação e a transparência em casos de grande repercussão pública.
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O Incidente que Terminou em Tragédia
Thawanna Salmázio morreu após ser baleada em uma ação policial no início do mês, em Cidade Tiradentes. Ela caminhava pela rua durante a madrugada com o marido. O braço do marido tocou o retrovisor de uma viatura em patrulhamento. O policial que dirigia o veículo deu ré e questionou o casal sobre andar na rua, o que iniciou uma discussão tensa. Em seguida, os fatos evoluíram rapidamente para o desfecho fatal.
O Disparo e a Reação
A policial Yasmin, que estava no banco do passageiro, desceu da viatura. Imagens registradas pela câmera corporal do motorista mostram Thawanna dizendo à militar para não apontar o dedo. Logo depois, Yasmin efetuou o disparo. “Você atirou? Você atirou nela? Por quê?”, questionou o também soldado Weden Silva Soares. Yasmin respondeu que atirou porque a moradora teria dado um tapa na cara dela. Este momento crucial é um dos focos da investigação policial.
Análise da Abordagem Policial
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a ação policial foi marcada por abusos e violência desde o primeiro contato. Eles classificam o evento mais como uma “briga” entre agentes e civis do que uma abordagem legítima. Além disso, a conduta desrespeitou diversos protocolos da Polícia Militar. Na época, a soldado Yasmin estava na etapa final do estágio na corporação e fazia patrulhamento nas ruas havia cerca de três meses. Ela não usava uma câmera corporal própria, o que dificulta a apuração de alguns detalhes do caso.
A Demora Crucial no Resgate
A Ouvidoria da PM solicitou que a Corregedoria investigue a omissão de socorro no caso da morte de Thawanna. A vítima esperou mais de 30 minutos pelo resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo. O atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna aguda como causa da morte. Socorristas, aliás, afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro.
Cronologia do Caso da PM que Atirou
Uma sequência de registros oficiais e imagens de câmera corporal, acessadas pela TV Globo, revela como se desenrolaram os mais de 30 minutos entre o disparo que atingiu Thawanna da Silva Salmázio e a chegada do resgate. Isso aconteceu na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes. Às 2h59, por meio do registro da câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, é possível ouvir o som do tiro dado pela PM que atirou. Na sequência, com a vítima ainda no chão, o policial questionou a colega sobre o motivo do disparo. A investigação busca clarear todos os pontos dessa cronologia e as responsabilidades envolvidas.
