Caso ministro STJ: Julgamento pode atrasar punição por assédio

Um julgamento crucial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode mudar os rumos de um processo contra o ministro Marco Buzzi, acusado de assédio sexual, e potencialmente atrasar sua punição.

Um julgamento crucial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode mudar os rumos de um processo contra o ministro Marco Buzzi, acusado de assédio sexual. A decisão, aguardada para esta quarta-feira (15), pode atrasar uma possível punição. Ela pode, por exemplo, enviar o caso ministro STJ para uma instância judicial de nível inferior. Buzzi está afastado de suas funções desde fevereiro, após denúncias de assédio.

A Corte Especial do STJ vai analisar dois processos que podem alterar o entendimento sobre a prerrogativa de foro. Esta prerrogativa define qual tribunal tem a competência para julgar autoridades. O Supremo Tribunal Federal (STF) já revisou o tema. O foro privilegiado, por exemplo, só vale para crimes cometidos durante o mandato e em função dele, conforme o STF decidiu. No entanto, ainda não ficou claro se essa regra se aplica a todos os crimes ou apenas aos relacionados ao cargo. Essa dúvida é o ponto central em discussão.

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Entenda a Prerrogativa de Foro e o Caso Ministro STJ

O STJ decidirá sobre esse aspecto específico para autoridades cujo foro é o próprio tribunal. Estamos falando de governadores, desembargadores, conselheiros de tribunais de contas e membros do Ministério Público. A expectativa de ministros da corte é que, ao se manifestar sobre o tema, o STF também volte a analisá-lo. Portanto, a decisão do STJ tem um peso importante e pode gerar um efeito cascata.

Se o entendimento for de que a regra da prerrogativa de foro vale para todos os delitos, e não apenas para os funcionais, a ação penal contra Buzzi pode descer para a primeira instância. Isso pode ocorrer por um despacho do relator ou a pedido da defesa do ministro. Com efeito, levar o processo para a primeira instância oferece mais possibilidades de recursos. Dessa forma, esse movimento pode adiar uma eventual punição a Marco Buzzi, prolongando o desfecho do caso ministro STJ.

Próximos Passos: O Julgamento Administrativo

O ministro Marco Buzzi responde às acusações em duas frentes distintas: a administrativa e a judicial. Na frente administrativa, o STJ se reúne nesta terça-feira (14) para decidir se abre um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra ele. Em última instância, este processo pode culminar na perda definitiva do cargo. Ministros da corte indicam que a tendência é abrir a investigação, contudo, sem unanimidade. A defesa de Buzzi, por exemplo, tem focado em buscar divergências nos relatos das vítimas. Eles sustentam que as duas se comunicaram, o que levanta questionamentos sobre a veracidade dos fatos.

As Acusações e o Processo Judicial

Já na frente judicial, a ação penal está no STF, sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. As denúncias contra Buzzi começaram em 10 de fevereiro, quando uma jovem procurou a polícia. Ela relatou ter sido tocada pelo ministro. Dias depois, uma funcionária terceirizada também fez um depoimento, descrevendo episódios de assédio dentro do gabinete. Ela contou que o ministro teria tocado suas nádegas, segurado seus braços e feito comentários inapropriados.

Os próximos dias serão decisivos para o futuro de Marco Buzzi. O julgamento desta quarta-feira e a reunião de terça-feira no STJ definirão os próximos passos tanto do processo judicial quanto do administrativo. Com isso, a sociedade aguarda as decisões que impactarão o sistema de justiça e a responsabilização de autoridades.