O Ministério Público de São José do Rio Preto (SP) abriu uma investigação para entender por que uma área pública, o parque Cidade das Crianças, foi usada como estacionamento irregular em show da banda Guns N’ Roses. O evento aconteceu em 7 de abril, e a cobrança para estacionar no local levantou sérias dúvidas sobre a legalidade da prática. O promotor Carlos Romani já marcou depoimentos para o dia 6 de maio, buscando esclarecer os fatos.
As suspeitas de irregularidades no uso do parque já causaram a saída de dois funcionários importantes da prefeitura. O então secretário municipal de Esportes, Kleber Fernando Trindade Mello, conhecido como Klebinho Kizumba, e José Luís Pereira, então secretário de Finanças e Orçamento da Câmara dos Vereadores, pediram exoneração de seus cargos. A investigação busca agora detalhar como a autorização para esse estacionamento em show foi concedida e quem se beneficiou da situação.
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Uso da Área Pública e a Falta de Transparência
As informações apuradas pela TV TEM indicam que motoristas pagaram R$ 100 para estacionar no parque, com pagamentos aceitos via PIX ou em dinheiro. A Associação Guasonafe, uma entidade filantrópica com sede em Guaraci (SP), foi quem utilizou o espaço. Contudo, o Ministério Público questiona a forma como essa autorização foi dada. A decisão do MP destaca que o uso do parque para estacionamento irregular em show ocorreu por uma permissão administrativa do então secretário de Esportes, sem nenhum tipo de processo público. Isso significa que não houve chamamento, edital ou qualquer procedimento que garantisse a chance de outras empresas ou entidades participarem.
Para o Ministério Público, a autorização foi direta para a Guasonafe, uma entidade que, segundo a apuração, não tinha ligação clara com o município e apresentava indícios de inatividade recente. O documento que iniciou o inquérito mostra que não existem registros claros sobre os critérios usados para escolher essa entidade, nem sobre a publicidade ou a justificativa formal para ela explorar economicamente um espaço público. Essa falta de transparência é um dos pontos centrais da investigação.
Pagamentos Via PIX e Envolvimento de Servidores
Além da forma como a autorização foi concedida, a investigação do MP também aponta para o envolvimento do secretário de Finanças da Câmara dos Vereadores. Há indícios de que ele participou da organização do estacionamento no show e recebeu valores por PIX diretamente em sua conta pessoal, relacionados a essa atividade. Para o Ministério Público, essa situação pode ser um caso de uso indevido do cargo público para conseguir dinheiro de forma particular.
Apesar de Klebinho Kizumba e José Pereira terem saído de seus cargos depois que o caso veio à tona, o Ministério Público faz uma ressalva importante: a exoneração não acaba com a possível responsabilização por atos que eles possam ter cometido enquanto estavam em suas funções públicas. Isso significa que a investigação continua e eles ainda podem responder por qualquer irregularidade.
O Que Aconteceu Depois da Repercussão?
Mesmo com a gravidade das acusações e a saída dos secretários, o Ministério Público observa que a Câmara dos Vereadores não abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Além disso, até o momento, não foram apresentados esclarecimentos que o MP considere suficientes por parte dos envolvidos. A apuração segue para descobrir todas as responsabilidades e garantir que situações como este estacionamento irregular em show não se repitam em áreas públicas.
A comunidade de São José do Rio Preto espera por respostas claras sobre o uso do parque Cidade das Crianças e as medidas que serão tomadas para evitar que bens públicos sejam explorados de forma irregular. A investigação do MP é um passo fundamental para trazer luz a essa situação e responsabilizar os envolvidos.
