O gênero choro, um dos mais antigos do Brasil, vive um momento de crescimento no Rio de Janeiro. Rodas de música e eventos em diversos bairros da cidade mostram um interesse renovado por esse estilo. Com efeito, muitas pessoas, de crianças a idosos, agora procuram aprender e ouvir este gênero, enchendo escolas e locais de apresentação.
Este ritmo, com sua execução complexa, possui laços com o samba, o maxixe e até mesmo a música clássica. Sua revitalização acontece em pontos como o Centro, Zona Sul e Zona Norte. Ela atrai um público variado em idade. De fato, um bom indicador deste interesse é o número de alunos na Escola de Música Portátil, ligada à Casa do Choro. Ademais, esta instituição é um centro importante para a preservação e estudo do gênero.
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Escola Portátil Impulsiona o Gênero
A Escola de Música Portátil atende cerca de mil alunos por semestre. Além disso, a procura é tão grande que existe uma fila de espera para aprender vários instrumentos. A cada sábado, no início da tarde, dezenas de estudantes da EPM se reúnem. Eles frequentam aulas presenciais na UniRio neste dia. Nesse ínterim, juntos, eles tocam clássicos como “Lamentos”, de Pixinguinha, em um encontro que os professores chamam de “bandão”.
O “bandão” atrai uma plateia diversa. Entre os espectadores estão outros alunos, familiares, curiosos e até turistas que passam a caminho da Urca. A idade dos participantes e do público varia bastante. Por exemplo, crianças, pessoas de meia-idade e idosos se juntam. Eles admiram um ritmo que surgiu por volta de 1870. Inclusive, músicos como o flautista Joaquim Callado e a pianista Chiquinha Gonzaga foram pioneiros deste estilo.
Rodas de Choro: Encontros Espontâneos
Ao longo das manhãs de sábado, antes do “bandão”, é comum ver rodas improvisadas menores no mesmo local. Nestes encontros, músicos praticam instrumentos como clarinetes, trombones, flautas, pandeiros, violões e cavaquinhos. Assim, eles trocam experiências e aprimoram suas habilidades, mantendo viva a tradição do ritmo. Dessa forma, a cultura musical se fortalece.
Em Laranjeiras, um bairro vizinho na Zona Sul, o gênero também tem ganhado força. Quase todo sábado, a feira da Rua General Glicério fica lotada com apresentações. Luciana Rabello, uma das fundadoras da Casa do Choro, observa este aumento de interesse nos últimos anos. Contudo, ela notou um crescimento ainda maior após a pandemia. A escola, forçada a oferecer cursos online, conseguiu manter sua base de alunos até a volta das aulas presenciais. Em consequência, este formato permitiu que o estilo alcançasse mais pessoas.
A Conexão do Choro com o Carnaval de Rua
Nos últimos anos, as matrículas na Escola Portátil mostram filas, principalmente para instrumentos de sopro. Uma das razões para isso pode ser a vontade de músicos do carnaval de rua de aprimorar suas técnicas. Luciana Rabello comenta sobre esta relação. Ela explica que o carnaval de rua do Rio começou com os chorões e os ranchos no século XIX. Desse modo, é interessante ver essa conexão se fortalecer. Mesmo assim, o ritmo nunca perde seus fundamentos, mas se adapta a diferentes épocas.
A história deste gênero é rica. Estudiosos europeus afirmam que ele nasceu como uma maneira brasileira de tocar ritmos europeus. Polca, mazurca e schottisch foram transformados. Gradualmente, este estilo musical ganhou uma identidade própria. Portanto, essa fusão de influências marcou o desenvolvimento deste estilo, tornando-o único.
Eventos e o Futuro do Choro
A Casa do Choro continua a ser um polo de atividades. Por exemplo, nesta quinta-feira (23), integrantes da Escola Furiosa Portátil se apresentam no local. O espetáculo “Clássicos do Gênero” oferece uma oportunidade para o público apreciar esta música. Os ingressos estão disponíveis no Sympla. Além disso, o “Trem do Choro” é outra iniciativa que homenageia grandes nomes, como Pixinguinha, mantendo a tradição viva.
Em suma, o choro demonstra uma notável capacidade de se reinventar. Ele segue conquistando novas gerações e se mantém relevante na cena cultural do Rio de Janeiro. Finalmente, a dedicação de escolas, músicos e entusiastas garante que este patrimônio musical brasileiro continue a florescer e encantar.
