Governo Trump e o Pix: Entenda a Preocupação dos EUA com o Sistema de Pagamentos

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão Trump, vê o Pix como um sistema que cria desvantagem para gigantes de cartão de crédito. Entenda as preocupações americanas e outros pontos de atrito com o Brasil.

O governo dos Estados Unidos, durante a gestão de Donald Trump, apontou o Pix como um sistema que prejudica grandes empresas de cartão de crédito. Um relatório recente da Casa Branca destacou essa preocupação, indicando que o Banco Central brasileiro pode dar tratamento preferencial ao Pix. Isso, segundo eles, criaria uma desvantagem para fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. No Brasil, instituições financeiras com mais de 500 mil contas são obrigadas a usar o sistema de pagamentos instantâneos.

A História da Preocupação com o Pix

Esta discussão sobre o Pix não é nova para o governo americano. Em 2025, a gestão Trump já havia manifestado preocupação com o sistema brasileiro. Naquele momento, o documento oficial não mencionava o Pix diretamente. Contudo, fazia referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico” do Brasil, incluindo aqueles oferecidos pelo Estado. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirmou que o Brasil parecia se envolver em “práticas desleais” relacionadas a pagamentos eletrônicos. Eles alegavam que o país favorecia seus próprios serviços desenvolvidos pelo governo.

PUBLICIDADE

Outros Pontos de Atrito Além do Pix

Além das questões envolvendo o Pix, o Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, cita outros pontos de atrito. Por exemplo, o documento aborda a mineração ilegal de ouro no Brasil e a extração ilegal de madeira. As leis trabalhistas brasileiras também aparecem na lista de preocupações. Ademais, o relatório menciona o Projeto de Lei dos Mercados Digitais, a regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados e assuntos relacionados a satélites e taxas de uso de rede.

Mineração e Madeira Ilegais: Impacto na Concorrência

O relatório americano expressa preocupação com a mineração ilegal de ouro no Brasil. Empresas dos EUA, que seguem padrões ambientais e trabalhistas, enfrentam concorrência desleal por causa dessa prática. Estima-se que 28% da atividade de mineração total no país seja ilícita.

A extração ilegal de madeira também representa um problema significativo. Quase metade da madeira colhida no Brasil – e impressionantes 90% da madeira da Amazônia brasileira – vem de fontes ilegais. A fiscalização enfraquecida, a expansão da produção agrícola e a corrupção são os principais fatores que permitem essas práticas. Espécies de alto valor, como ipê e mogno, são as mais afetadas por essa ilegalidade. Além disso, a ausência de uma proibição à importação de produtos feitos com trabalho forçado também afeta a competitividade das empresas americanas.

O Projeto de Lei dos Mercados Digitais e Seus Riscos

Outro ponto de atenção para os EUA é o Projeto de Lei dos Mercados Digitais. Este PL trata da regulação econômica de grandes plataformas digitais. Mesmo sem ter avançado no Congresso brasileiro, o relatório americano vê o projeto como um risco à concorrência. Ele aponta que os critérios de designação do PL poderiam afetar desproporcionalmente empresas dos Estados Unidos. Consequentemente, isso permitiria multas de até 20% do faturamento global dessas companhias.