A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que administra as usinas nucleares de Angra, pode precisar de financiamento do governo para as usinas nucleares em 2027. A Eletronuclear, subsidiária da ENBPar e responsável pelas operações em Angra 1 e 2, além da obra de Angra 3, enfrenta dificuldades financeiras. O motivo principal é a necessidade de investir na Usina Angra 1 para prolongar sua operação. Além disso, a falta de clareza sobre o futuro da construção de Angra 3 contribui para a situação. De fato, esta informação está no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado ao Congresso.
O documento do governo destaca que a incerteza sobre a conclusão de Angra 3 e seus custos futuros gera um risco fiscal. Adicionalmente, o dinheiro necessário para os investimentos aparece bem antes da geração de receita. De fato, esta última só virá a longo prazo. Consequentemente, isso mantém a pressão nas contas da ENBPar e da Eletronuclear. A ENBPar também cuida da parte brasileira na usina de Itaipu Binacional, que gera energia para o Brasil e o Paraguai.
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Custos Elevados e o Desafio do Financiamento das Usinas Nucleares
O governo esclarece que a necessidade de financiamento das usinas nucleares não é uma obrigação definida agora. Primeiramente, tudo dependerá das decisões futuras sobre políticas para o setor elétrico. Em segundo lugar, influenciará a forma como Angra 3 será finalizada e a capacidade de conseguir dinheiro para os projetos. Mesmo assim, a Eletronuclear gasta mais de R$ 1 bilhão por ano somente com a manutenção de Angra 3. Este custo alto, sem uma fonte de renda correspondente, cria uma situação insustentável para a empresa.
Alexandre Caporal, presidente interino da Eletronuclear, avisou sobre a grave situação financeira. Em primeiro lugar, em dezembro de 2025, ele disse que nenhuma empresa aguenta gastar R$ 1 bilhão sem ter como cobrir. Ele cobrou uma definição do governo sobre Angra 3, seja para dar continuidade ou para suspender a dívida. Além disso, em fevereiro deste ano, Caporal reforçou que o caixa da empresa estava acabando. Portanto, ele alertou que, sem uma solução, a Eletronuclear poderia se tornar como os Correios. Esta referência é à crise da empresa de correspondências.
A Busca por Soluções e a Estrutura das Usinas Nucleares
Atualmente, a Eletronuclear busca um alívio financeiro com a emissão de debêntures. No entanto, o presidente interino enfatiza que essa é uma solução de curto prazo. A empresa precisa de uma resolução “estrutural” para seus problemas de caixa e para garantir o financiamento das usinas nucleares a longo prazo. Em suma, a falta de uma decisão clara sobre Angra 3 e os altos custos de manutenção continuam a apertar as finanças da estatal.
A Eletronuclear, apesar de ser controlada pelo governo, tem uma estrutura de acionistas um pouco complexa. Ela é uma sociedade de economia mista, ou seja, tem participação pública e privada. Sua formação atual vem da privatização da antiga Eletrobras. De acordo com a lei, a legislação brasileira exige que o controle da geração de energia nuclear fique com o Estado. Por isso, após uma reorganização entre 2022 e 2025, a ENBPar passou a ter a maior parte das ações.
Assim, a ENBPar e a Eletronuclear enfrentam um cenário financeiro desafiador. A necessidade de investir nas usinas de Angra e as incertezas sobre o futuro de Angra 3 colocam a empresa em uma posição delicada. Uma decisão governamental sobre o financiamento das usinas nucleares e o destino de Angra 3 é crucial. Isso é necessário para evitar um colapso financeiro, como alertado pelos próprios gestores da estatal.
