Em investigações criminais, a polícia usa métodos avançados para recuperar dados de celular. Eles também acessam arquivos que estavam na nuvem. Isso inclui conversas apagadas e documentos importantes. Uma operação recente, por exemplo, descobriu um esquema de lavagem de dinheiro. Ela começou com a análise de informações do iCloud. Esta prática permite cruzar extratos bancários, mensagens e registros financeiros. Isso ajuda a montar o quebra-cabeça das atividades dos investigados. A capacidade de recuperar dados de celular é, portanto, um diferencial importante.
Acesso à nuvem: como as autoridades conseguem dados
Autoridades acessam informações guardadas em serviços como iCloud e Google Drive. Existem duas formas principais de fazer isso. Primeiro, se o celular do investigado estiver desbloqueado, a análise pode acontecer diretamente no aparelho. Segundo, e mais comum, é por meio de uma ordem judicial. Com essa ordem, as plataformas digitais precisam compartilhar o material solicitado.
Leia também
Dados recentes mostram algo importante. Em apenas seis meses, o Google recebeu mais de 38 mil solicitações de informações de usuários. A empresa forneceu os dados em 77% desses casos. A Apple também teve muitos pedidos. No mesmo período, ela atendeu a 7.592 pedidos por dados de aparelhos, entregando informações em 79% das vezes. Além disso, houve 3.678 pedidos por dados na nuvem. As informações foram fornecidas em 81% dos casos. Portanto, a nuvem representa uma fonte valiosa de provas.
Ferramentas para recuperar dados de celular e muito mais
Além da nuvem, a polícia usa programas especializados. Eles servem para recuperar dados de celular diretamente dos aparelhos. Ferramentas como o Cellebrite UFED, de Israel, e o Magnet Greykey, dos Estados Unidos, são exemplos. Elas têm uso restrito e conseguem contornar os sistemas de bloqueio dos telefones. Assim, extraem muitas informações do dispositivo.
Esses programas acessam o histórico de mensagens em aplicativos populares, como WhatsApp e Telegram. Mais que isso, em alguns casos, eles recuperam dados que o dono do aparelho apagou. Isso ocorre porque as ferramentas não olham apenas o que está visível para o usuário. Na verdade, elas focam em bancos de dados. Outros registros escondidos na memória do dispositivo também são alvos. Consequentemente, conseguem encontrar rastros digitais importantes para as investigações.
Como desbloquear e recuperar dados de celular
A primeira etapa para acessar um celular é desbloqueá-lo, especialmente se ele tiver senha. Isso pode ser simples, caso o investigado forneça o código de acesso. Contudo, muitas vezes, é preciso usar programas de perícia. Eles buscam contornar o bloqueio para extrair os dados. Dessa forma, é possível recuperar dados de celular mesmo em situações de resistência.
Quando um programa entra em ação, ele tenta explorar falhas de segurança específicas do modelo do celular. Encontrar essas brechas leva tempo, o que dificulta o processo em aparelhos mais novos. Marcos Monteiro, presidente da Apecof, explicou o processo. Segundo ele, “esse mecanismo de desbloqueio funciona literalmente como hackear o celular.” Ele também comentou os limites da tecnologia atual. “O Cellebrite ainda não tem uma forma automatizada de quebrar a senha de um iPhone 17, por exemplo”, disse Monteiro. Portanto, o processo exige conhecimento e ferramentas avançadas.
Casos reais onde a recuperação de dados foi crucial
A análise de dados de celular e da nuvem já foi decisiva em diversas operações. A megaoperação de 15 de maio é um bom exemplo. Ela revelou um esquema de lavagem de R$ 1,6 bilhão. Ela começou com a análise de arquivos do iCloud. Isso permitiu cruzar extratos, conversas e documentos financeiros, segundo a Polícia Federal.
Em outra investigação, a PF identificou mensagens. Elas eram do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e foram enviadas ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Costa foi preso dias depois. O caso dos MCs Ryan SP e Poze do Rodo também ilustra o poder dessas análises. A capacidade de recuperar dados de celular foi fundamental para as prisões. Isso revelou detalhes da rotina dos artistas. Dessa forma, fica claro o impacto da perícia digital nas investigações.
