As chuvas em Juiz de Fora, que aconteceram há dois meses, deixaram 66 pessoas mortas. Essa ocorrência, que ficou marcada na história da cidade, mostrou um problema antigo: a ocupação de áreas de risco. Este problema é a ocupação de morros e encostas. Estes são locais que não são seguros para morar e que foram ocupados sem controle ao longo dos anos. A cidade está entre as dez localidades brasileiras com mais gente morando em áreas de risco. Isso acontece desde 2018, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Jordan Henrique de Souza, especialista em Engenharia Civil, explica o desastre das chuvas em Juiz de Fora. Para ele, foi o resultado de um temporal muito forte, do terreno irregular da cidade e da ocupação urbana nessas áreas vulneráveis. Dessa forma, isso agravou os impactos e causou consequências graves para os moradores.
Jordan Henrique de Souza é professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Lá, ele ensina Topografia Geral. Esta é uma disciplina importante para arquitetos e urbanistas entenderem as características do solo. Além disso, ele trabalhou na Defesa Civil de Juiz de Fora entre 2008 e 2012. Nesse período, ele atuou como assessor técnico e chefe de departamento. Assim, ele ganhou experiência em planejamento, gestão de riscos e coordenação entre diferentes órgãos. Sua visão sobre a situação da cidade, portanto, é baseada em conhecimento acadêmico e prática profissional.
Leia também
A Topografia e as Chuvas em Juiz de Fora
A presença de muitas ladeiras e morros em Juiz de Fora está diretamente ligada à formação natural da cidade. Jordan Henrique detalha que as encostas se formaram naturalmente ao longo do tempo. As chuvas em Juiz de Fora intensificam os riscos nessas áreas. Contudo, com o crescimento da cidade, áreas que antes não tinham construções começaram a receber moradias e intervenções no solo. Muitas vezes, isso envolveu movimentação de terra, alterando a condição natural do local. A topografia é a ciência que estuda e mede as características naturais e artificiais de um terreno. Isso inclui seu relevo, limites, ângulos e distâncias. Ela é fundamental para entender como o terreno se comporta.
Segundo o professor, alguns dos bairros que mais se destacam por terem um terreno acidentado ficam na Zona Leste da cidade. Entre eles, estão Linhares, Três Moinhos e Nossa Senhora Aparecida. Essa característica do relevo também tem a ver com a geologia da região. Existem rochas mais resistentes que ajudaram a manter essas formações mais elevadas e inclinadas. Assim, a própria natureza do solo contribui para a existência dessas áreas.
Ocupação Urbana e os Riscos das Chuvas em Juiz de Fora
Jordan Henrique afirma que o relevo, por si só, não é o principal problema da cidade. O que realmente causou os maiores impactos foi a maneira como a ocupação urbana aconteceu ao longo das décadas. Muitas vezes, as construções não levaram em conta as características naturais do terreno. Ele explica: “Durante a ocupação, o que não foi ocupado por encosta foi ocupado por vale, e o que não tem risco de desmoronar tem risco de inundar”. Isso mostra que a cidade enfrentou desafios em diferentes tipos de terreno.
As regiões mais planas, por exemplo, surgiram perto de rios e córregos. Nesses locais, materiais se acumularam naturalmente com o passar do tempo. Ele cita como exemplo trechos entre os bairros Manoel Honório e Bom Pastor. Portanto, a falta de planejamento adequado na ocupação de Juiz de Fora transformou características naturais em pontos de vulnerabilidade. A tragédia recente, causada pelas chuvas em Juiz de Fora, evidenciou a urgência de repensar o crescimento e a gestão do espaço urbano. É crucial que o poder público e a população trabalhem juntos para buscar soluções que garantam a segurança e a sustentabilidade da cidade frente a novas chuvas em Juiz de Fora.
