Cade investiga Google IA por uso de conteúdo

O Cade abriu uma investigação contra o Google por usar em excesso notícias produzidas por inteligência artificial. Entenda o que motivou o processo e os possíveis impactos no jornalismo.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um processo para investigar o Google. A decisão, unânime, mira o suposto uso excessivo de notícias criadas por inteligência artificial (IA) pela gigante da tecnologia. A própria instituição notou a necessidade de olhar mais de perto como o mercado de buscas funciona e como o Google usa conteúdo gerado por IA. Este processo administrativo vai analisar a conduta da empresa e o que isso provoca no setor de jornalismo. Se o Cade encontrar problemas, o Google pode enfrentar punições administrativas por infração econômica.

A discussão sobre o tema começou no ano passado, dentro do Cade. Em um primeiro momento, a Superintendência-Geral chegou a dizer que não havia provas suficientes de quebra da ordem econômica e recomendou arquivar o caso. Contudo, o Tribunal do Cade decidiu reavaliar, e o processo foi para o então conselheiro e presidente Gustavo Augusto. Ele, inicialmente, votou para encerrar a investigação.

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Entenda a Ação do Cade contra Google IA

A situação mudou quando o julgamento recomeçou em 8 de março. O conselheiro Diogo Thomson apresentou seu voto, defendendo a investigação. Ele apontou que havia indícios fortes sobre a atuação do Google. Depois do voto de Thomson, Gustavo Augusto mudou sua posição e concordou em apurar o uso de notícias com IA. Em seguida, a conselheira Camila Cabral também votou a favor da abertura do processo. Ela explicou que o Google estaria usando conteúdo jornalístico sem pedir autorização prévia às empresas que o produzem.

A conselheira Camila Cabral destacou a complexidade do caso. Segundo ela, o assunto exige cuidado porque envolve um ambiente de tecnologia que muda rápido. Existe uma grande diferença no acesso à informação e é difícil ver de fora como a plataforma organiza as buscas. Também não é fácil entender como ela distribui a atenção dos usuários, coleta dados, ganha dinheiro com o tráfego e reutiliza o conteúdo que outras empresas criaram. Ela pontuou que a dificuldade não é apenas medir os efeitos que já aconteceram. Além disso, o problema alcança a forma como a plataforma dominante gerencia a intermediação de informações. Assim, transforma o conteúdo de terceiros em um recurso para manter a atenção dos usuários, coletar dados e fortalecer seu próprio poder de coordenação.

Impactos no Mercado Jornalístico

A investigação do Cade pode trazer grandes impactos para o mercado jornalístico. Muitas empresas de notícias dependem do tráfego vindo de plataformas de busca como o Google. Se o Google usa conteúdo de IA sem as devidas permissões ou sem compensar adequadamente os produtores de notícias, isso pode prejudicar a sustentabilidade do jornalismo. Por exemplo, veículos de comunicação investem muito para produzir informações de qualidade. Se esse conteúdo é usado para alimentar sistemas de IA sem retorno justo, o modelo de negócio dos jornais fica ameaçado. Portanto, a decisão do Cade busca garantir um ambiente de concorrência mais equilibrado e justo para todos os envolvidos. O objetivo é proteger a produção de conteúdo original e a inovação no setor.

O que o Google Diz Sobre a Investigação

O Google se manifestou sobre a decisão do Cade. A empresa afirmou que acompanha o encaminhamento do caso para uma análise detalhada pela Superintendência. Contudo, a gigante da tecnologia acredita que a decisão do órgão reflete uma compreensão errada sobre como seus produtos operam. A empresa também defende o valor que entrega aos editores de notícias. Eles explicam que as preferências dos usuários mudam constantemente. Por isso, a ferramenta AI Overviews foi criada para mostrar links para vários resultados. Isso, na visão do Google, cria novas chances para que sites importantes e conteúdos diversos sejam encontrados. Assim, o Google busca argumentar que suas práticas beneficiam o ecossistema de notícias, e não o contrário.