O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta quinta-feira (23) libertar o funkeiro MC Poze do Rodo. Ele havia sido preso em 15 de abril, durante uma grande operação da Polícia Federal (PF). O artista estava detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, mais conhecido como Bangu 8, no Rio de Janeiro. Esta decisão, aliás, partiu do ministro Messod Azulay Neto, relator do caso. Ele concedeu um habeas corpus inicialmente para outro músico, MC Ryan MC. Contudo, a medida se estendeu a todos os presos na mesma ação. Isso incluiu MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, conhecido por ser o criador da página “Choquei”.
A prisão de MC Poze do Rodo fazia parte de uma investigação da PF contra uma organização criminosa. Esta organização é acusada de lavagem de dinheiro e de realizar transações financeiras ilegais que ultrapassaram a marca de R$ 1,6 bilhão. Segundo Fernando Henrique Cardoso Neves, advogado do artista, o funkeiro foi pego de surpresa pela prisão. Além disso, ele nega qualquer envolvimento em irregularidades.
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A Operação Narco Fluxo e as Acusações
A operação da Polícia Federal recebeu o nome de “Narco Fluxo”. Os investigadores apontam que os envolvidos utilizavam um esquema complexo para esconder e disfarçar valores. Isso incluía, por exemplo, operações financeiras de alto montante, transporte de dinheiro em espécie e transações que envolviam criptoativos. Portanto, a ação visava desmantelar essa rede de ocultação de bens e dinheiro.
Detalhes da Ação Policial
Cerca de 200 policiais federais foram mobilizados para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. Estes mandados foram expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos, no estado de São Paulo. As ações ocorreram em diversos estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. A justiça, desse modo, determinou o sequestro de bens dos investigados. Os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A polícia apreendeu veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Estes itens, aliás, vão ajudar a aprofundar as investigações. Assim, espera-se que mais detalhes surjam em breve.
O Histórico de MC Poze do Rodo com a Justiça
A atual prisão e posterior soltura do funkeiro não são os únicos episódios de MC Poze do Rodo com a justiça. No ano anterior, por exemplo, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu o artista. Naquela ocasião, as acusações envolviam apologia ao crime e suposto envolvimento com o tráfico de drogas. A DRE também investigava o cantor por uma possível lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV).
Investigações Anteriores e Shows Polêmicos
De acordo com a DRE, MC Poze do Rodo realizava shows de forma exclusiva em áreas dominadas pelo Comando Vermelho. Nestes eventos, traficantes armados com fuzis apareciam de forma ostensiva. O objetivo era garantir a “segurança” do artista e do público. A delegacia ainda afirmou que as letras das músicas de Poze faziam “clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo”. Além disso, elas “incitavam confrontos armados entre facções rivais”, o que frequentemente resultava em vítimas inocentes. Em suma, a DRE concluiu que a facção utilizava os shows de Poze estrategicamente. O objetivo era aumentar os lucros com a venda de entorpecentes. Desse modo, revertiam esses recursos para comprar mais drogas, armas de fogo e outros equipamentos necessários para a prática de crimes.
