A língua portuguesa está sempre em movimento. Novas palavras surgem e ganham espaço na fala do dia a dia. Termos como “marmitório”, “mi-mi-mi” e “parditude” são exemplos recentes. Eles agora podem se tornar oficiais. A Academia Brasileira de Letras (ABL) analisa estas e outras novas palavras para decidir se farão parte do Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (Volp). Este processo mostra como a língua se adapta, refletindo as mudanças sociais e culturais de quem a usa.
O Que Significam Estas Novas Palavras?
Várias expressões que usamos hoje podem entrar para o Volp. Por exemplo, “marmitório” descreve um lugar simples onde pessoas comem, muitas vezes suas marmitas. Já “mi-mi-mi” se refere a uma reclamação repetitiva ou considerada exagerada. “Parditude”, por sua vez, fala sobre a condição ou identidade de pessoas pardas, um termo importante nas discussões raciais no Brasil. Além destas, outras palavras também estão sob avaliação, como:
Leia também
- Cordelteca: Um espaço ou coleção de literatura de cordel.
- Enredista: A pessoa que cria enredos para histórias ou eventos.
- Policrise: Uma situação onde várias crises acontecem ao mesmo tempo.
- Pesquisável: Algo que pode ser investigado ou pesquisado.
Estas novas palavras mostram a riqueza e a capacidade de renovação do nosso idioma. Afinal, a língua se constrói no uso diário das pessoas. Em 2025, a ABL já aprovou “pejotização”, que significa contratar alguém como pessoa jurídica, e “terrir”, que é um tipo de filme que mistura terror e humor. Assim, vemos que o caminho para um termo se tornar oficial já tem exemplos claros.
O Papel do Volp na Língua Portuguesa
Muitas pessoas confundem o Volp com um dicionário comum. No entanto, ele tem uma função diferente. O Volp é o documento oficial que mostra a grafia correta das palavras na norma padrão do português brasileiro. Ele não traz significados. Pelo contrário, sua principal tarefa é registrar a forma certa de escrever, a flexão (como o plural de “couve-flor”) e a classe gramatical de cada termo. O Volp possui força de lei, o que significa que ele define as regras da escrita formal.
Dicionários como “Houaiss” e “Aurélio” são mais descritivos. Eles registram gírias e usos do dia a dia. Contudo, o Volp foca na forma culta da língua. Ricardo Cavalieri, da ABL, explicou que o Volp não cria palavras. “Quem cria é o falante”, disse ele em uma entrevista em 2025. Portanto, o Volp apenas registra o que já existe e é usado de forma estável pela comunidade de falantes. Este é um ponto importante para entender como a língua se organiza.
Como As Novas Palavras São Escolhidas?
Para uma palavra entrar no vocabulário oficial, ela precisa de mais do que ser uma “modinha” passageira. A ABL busca termos que demonstrem estabilidade e continuidade de uso. Ou seja, a palavra precisa ser usada por um tempo considerável e por muitas pessoas. Um bom exemplo é a palavra “Inshalá”, que foi muito usada em 2002. Apesar da popularidade na época, ela não demonstrou a permanência necessária para ser incorporada ao Volp. Este critério garante que apenas termos com uso consolidado façam parte do registro oficial.
O processo de escolha das novas palavras é rigoroso. Os lexicógrafos da ABL avaliam a frequência e a abrangência do uso de cada termo. Eles analisam se a palavra já está bem estabelecida na comunicação, seja em textos jornalísticos, literatura ou na fala cotidiana. Além disso, a relevância cultural e social da palavra também conta. Desta forma, a língua oficial se mantém viva e relevante, acompanhando a evolução natural da comunicação dos brasileiros.
A língua portuguesa, portanto, é um organismo vivo. Ela se transforma com seus falantes. A inclusão de novas palavras no Volp é um sinal claro dessa evolução. Isso mostra que o que falamos hoje pode, no futuro, ser a norma padrão de amanhã. Este processo contínuo garante que o nosso idioma continue a expressar a complexidade e a diversidade da nossa cultura.
