A cooperativa de catadores Coopamare, a mais antiga do Brasil, funciona em São Paulo há 37 anos. Recentemente, ela recebeu um aviso para desocupar seu espaço na Zona Oeste. A prefeitura da cidade deu um prazo de 15 dias para a saída. Isso gerou preocupação entre os trabalhadores. Eles dependem da cooperativa para viver. A decisão levanta questões sobre o futuro da reciclagem e o sustento de muitas famílias na capital paulista.
O Desafio da Coopamare: Um Aviso Inesperado
No começo de abril, os membros da Coopamare, que fica na região de Pinheiros, foram pegos de surpresa. Eles receberam um comunicado da prefeitura exigindo a desocupação do local. A cooperativa de catadores, que atua desde os anos 1980, tem um papel fundamental na vida de muitos catadores, garantindo seu sustento. Além disso, a Coopamare já foi citada em importantes eventos sobre sustentabilidade. Ela mostra sua relevância para o meio ambiente e a sociedade. Portanto, o aviso de despejo representa um grande golpe para a comunidade.
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A Subprefeitura de Pinheiros, por sua vez, explicou sua posição. Em nota, afirmou que ofereceu quatro áreas diferentes para a cooperativa de catadores, mas nenhuma foi aceita pelos catadores. A prefeitura também informou que a permissão para usar o espaço atual está cancelada desde 2023. Isso ocorreu devido a um risco de incêndio. A defesa apresentada pela cooperativa de catadores está sob análise. A área em questão, segundo a subprefeitura, será reformada para abrigar outras atividades sociais na região, mas não detalhou quais seriam esses novos projetos.
História e Luta da Cooperativa de Catadores
O espaço atual da Coopamare foi cedido pela prefeitura em 1989, depois de muitas reivindicações dos catadores. No local, os próprios trabalhadores construíram toda a infraestrutura necessária, incluindo um refeitório e um escritório. Isso ajudou a organizar o trabalho de triagem. Este centro chegou a sustentar centenas de famílias ao mesmo tempo. A história da cooperativa de catadores é marcada por resiliência e esforço coletivo.
Apesar dos desafios, a Coopamare sempre buscou melhorias. Em 1999, moradores da região tentaram, sem sucesso, tirar a cooperativa de catadores do local por meio da Justiça. Naquela época, já havia um alerta sobre a ameaça à sobrevivência dos catadores. Anos depois, em 2012, mesmo sem o apoio direto do poder público, os cooperados conseguiram doações de máquinas por meio de empresas parceiras. Isso ajudou a modernizar e melhorar a estrutura de trabalho. Mais recentemente, em 2024, o trabalho da cooperativa foi destaque em uma reportagem sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que valorizam a reciclagem.
O Impacto do Despejo e o Pedido por um Espaço Digno
Atualmente, mais de 80 pessoas dependem diretamente da Coopamare para seu sustento. Elas se sentem novamente ameaçadas com a possibilidade de perder o local. Carla Moreira, presidente da cooperativa de catadores, expressou sua preocupação. Ela afirmou que a saída do espaço comprometeria a continuidade do trabalho. “Eles querem tirar a gente para colocar um outro projeto social que é de elite e já existe em outros endereços, e a gente só tem este”, disse Carla. Portanto, a líder da cooperativa faz um apelo claro. “Se eles querem tirar a gente daqui, que arrumem um espaço digno para todos nós. E que seja aqui na região, não fora da região onde a gente está”, ressaltou Carla.
Futuro Incerto para Catadores: Medo e Frustração
A área ocupada pela cooperativa de catadores fica sob o Viaduto Paulo VI, que está passando por reformas. Os trabalhadores tinham a expectativa de que haveria melhorias no local após a obra. Eles relatam que funcionários chegaram a fazer interdições parciais. Além disso, prometeram reconstruir áreas que foram demolidas temporariamente. Isso aumenta a frustração com o aviso de despejo.
A catadora Jaqueline Moreira da Conceição exemplifica a angústia dos trabalhadores. Ela teme não conseguir se recolocar no mercado de trabalho. “Mais da metade da minha vida foi trabalhando em cooperativa, porque se eu for hoje lá fora, procurar um outro serviço, as portas se fecham”, desabafou Jaqueline. Assim, a situação da cooperativa de catadores mostra a importância de um local para a continuidade do trabalho social e ambiental que ela realiza.
