A Reforma Tributária traz uma mudança importante para muitas empresas no Brasil. Aquelas que hoje fazem parte do Simples Nacional, ou seja, que faturam até R$ 4,8 milhões por ano, precisam tomar uma decisão crucial até o final de setembro. Elas devem escolher entre continuar no Simples ou mudar para o novo sistema de impostos. Essa escolha, que vale a partir de 2027, vai definir como essas empresas lidarão com os novos tributos sobre o consumo, que vão substituir PIS, Cofins e IPI.
O Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) publicou uma resolução detalhando essa regra. Portanto, micro e pequenas empresas têm um prazo para analisar qual caminho é mais vantajoso. Se uma empresa optar por sair do Simples, ela poderá, no novo regime (conhecido como híbrido), abater impostos que foram pagos em etapas anteriores da produção. Atualmente, a maioria das vendas feitas pelo Simples não permite a transferência de crédito, algo que mudará com a reforma.
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Entenda a Escolha para Pequenas Empresas
As mudanças mais significativas da Reforma Tributária começam em 2027. A partir dessa data, tributos como PIS, Cofins e IPI serão extintos para a maioria dos produtos. Alguns itens, como aqueles produzidos na Zona Franca de Manaus e fabricados em outras localidades, ainda terão IPI. É importante frisar que o Microempreendedor Individual (MEI) não será afetado por essas novas regras. As normas específicas para o MEI continuam as mesmas, mantendo cerca de 60% das empresas do Simples Nacional fora dessa decisão.
A reforma tributária sobre o consumo foi aprovada em 2024 pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente no ano passado. A medida faz parte de um conjunto de ações para implementar o novo sistema de impostos de forma gradual. O objetivo é dar segurança jurídica, coerência e previsibilidade para microempresas e empresas de pequeno porte. Assim, o governo busca facilitar a adaptação ao novo cenário fiscal.
Como a Reforma Tributária Altera os Impostos
O novo sistema prevê o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirão os tributos atuais. A principal vantagem para as empresas que decidirem sair do Simples e migrar para o regime regular do IBS e da CBS é a possibilidade de aproveitar créditos tributários. Isso significa que elas poderão descontar impostos já pagos na cadeia produtiva, o que pode representar uma redução significativa da carga tributária final.
Por outro lado, as empresas que permanecerem no Simples Nacional continuarão com a apuração simplificada, mas sem a possibilidade de crédito dos novos impostos. Desse modo, a decisão precisa ser feita com base em uma análise cuidadosa do faturamento, dos custos e da estrutura de cada negócio. Além disso, as empresas devem considerar o tipo de atividade e seus fornecedores e clientes.
Prazos e Detalhes da Decisão
A opção pelo Simples Nacional para o ano de 2027 deve ser formalizada entre 1º e 30 de setembro de 2026. Este processo acontece por meio do Portal do Simples Nacional, e os efeitos começam em 1º de janeiro de 2027. Contudo, há uma janela para reconsideração: a opção pelo Simples Nacional pode ser cancelada de forma irretratável até o último dia de novembro de 2026. Essa flexibilidade permite que as empresas ajustem sua decisão diante de possíveis mudanças no faturamento ou no enquadramento societário.
O Que Fazer em Caso de Indeferimento ou Reconsideração?
Se a solicitação inicial for negada, a empresa tem até 30 dias para resolver as pendências que impediram a aprovação, incluindo débitos tributários. Uma vez que as pendências são regularizadas nesse prazo, o indeferimento é cancelado e a opção é aceita. Igualmente, a opção pelo regime regular do IBS e da CBS também pode ser cancelada de forma irretratável até o final de novembro de 2026. A resolução publicada regulamenta a escolha pela apuração e recolhimento do IBS e da CBS pelo regime regular, que também deve ser feita até o fim de setembro deste ano.
Importância de Planejar a Transição
Diante dessas mudanças, é fundamental que as pequenas empresas comecem a se planejar o quanto antes. Analisar o impacto financeiro de cada regime é essencial. Contadores e consultores tributários podem oferecer o suporte necessário para essa avaliação. Assim, as empresas podem tomar a melhor decisão para seu futuro, garantindo conformidade e otimização fiscal. A Reforma Tributária exige atenção e estratégia.
