Na noite da última quarta-feira (15), a Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de uma manifestação importante. Pessoas se reuniram para pedir o fim da escala 6×1 de trabalho. O grupo, formado por membros de movimentos sociais e partidos políticos, saiu da Fundação Cásper Líbero. Eles caminharam até a Rua da Consolação. A Polícia Militar esteve presente, monitorando o trajeto dos manifestantes. Estes carregavam bandeiras com a frase “Povo pelo Povo”. Aliás, este movimento nas ruas acontece enquanto o tema da jornada de trabalho também ganha força no Congresso Nacional. Isso mostra que a discussão sobre a redução da jornada e o fim da escala 6×1 está em alta.
Debate sobre a Jornada de Trabalho no Congresso
Em Brasília, o assunto da jornada de trabalho também avançou. Nesta mesma quarta-feira, por exemplo, o deputado federal Paulo Azi (União-BA) apresentou um relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Este relatório apoia propostas que buscam diminuir a carga horária semanal dos trabalhadores no Brasil. Portanto, é um passo importante para quem defende o fim da escala 6×1 e outras mudanças na legislação trabalhista.
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Votação Adiada e Pedido de Vista
Após a leitura do relatório de Paulo Azi, a discussão esquentou. Deputados da oposição, como Lucas Redecker (PSD-RS), que não concorda com o fim da escala 6×1, pediram mais tempo para analisar o documento. Segundo Redecker, o relatório foi protocolado pela manhã. Contudo, ele e outros parlamentares precisavam ler tudo com atenção, já que o tema é delicado. Bia Kicis (PL-DF) também solicitou mais prazo. O presidente da CCJ, Leur Lomanto Júnior (União-BA), aceitou os pedidos. Assim, a votação na comissão foi adiada e deve acontecer em até 15 dias. Houve reclamações de quem apoiava as propostas, o que mostra a tensão em torno do assunto.
Existem diferentes propostas para mudar a jornada de trabalho atual, que permite até 44 horas semanais. Uma delas, por exemplo, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no ano passado, sugere uma semana de trabalho de apenas quatro dias. Se aprovada, esta regra começaria a valer em 360 dias. Outra proposta, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), de 2019, quer diminuir a jornada para 36 horas por semana. Para essa mudança, o prazo de implementação seria de 10 anos. É importante notar que essas discussões sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada são complexas. Elas envolvem prazos e impactos distintos.
Diferença entre Propostas: Governo Lula e Congresso
As propostas debatidas na CCJ se distinguem daquela apresentada pelo governo Lula recentemente. O projeto do governo, divulgado na terça-feira (14), busca reduzir o limite da jornada semanal para 40 horas. Além disso, ele propõe a mudança da escala de trabalho de seis para cinco dias. Isso garante dois dias de descanso remunerado. É uma abordagem diferente das PECs em análise, mas com o mesmo objetivo de melhorar as condições de trabalho e, de certa forma, impactar a questão do fim da escala 6×1.
O relatório feito por Paulo Azi na CCJ tem um foco específico. Ele analisa apenas se as propostas estão de acordo com a Constituição, ou seja, se são “admissíveis”. O parlamentar entende que os textos cumprem os requisitos constitucionais para seguir no Congresso. O debate sobre o conteúdo das propostas, que é o “mérito” delas, só vai acontecer depois que a CCJ aprovar os textos. Essa discussão detalhada será feita em uma comissão especial criada para isso. Portanto, o caminho para o fim da escala 6×1 e a redução da jornada ainda tem muitas etapas.
