Deputados discutem a possibilidade de uma jornada de trabalho menor no Brasil. Um relatório favorável a propostas que buscam o fim da escala 6×1 e a redução da semana de trabalho foi apresentado na Câmara dos Deputados. Contudo, a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi adiada. O deputado Paulo Azi (União-BA) leu seu parecer. Além disso, um pedido de vista, feito pelo deputado Lucas Redecker (PSD-RS), concedeu mais tempo para análise do documento.
A decisão de adiar a votação gerou protestos de quem defende as mudanças. Lucas Redecker explicou que o parecer chegou pela manhã. De fato, ele, assim como outros parlamentares, queria ler o texto com calma. Afinal, este é um assunto importante e delicado para o país.
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Propostas para o Fim da Escala 6×1
O deputado Paulo Azi uniu em um único relatório duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) de parlamentares de esquerda. A primeira, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), de 2023, propõe uma jornada de trabalho de quatro dias por semana. Ela prevê 360 dias para a regra entrar em vigor. Por outro lado, a segunda PEC, de 2019, é do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e sugere uma jornada de 36 horas semanais. Esta proposta concede um prazo de dez anos para a nova norma começar a valer. Atualmente, a lei permite uma jornada máxima de 44 horas por semana.
É importante destacar que estas discussões na CCJ são diferentes de um projeto de lei do governo Lula. O governo enviou este projeto ao Congresso. Ele propõe reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais. Além disso, também quer mudar a escala de trabalho de seis para cinco dias. Isso garantiria dois dias de descanso remunerado. Portanto, há várias frentes de debate sobre a redução da jornada de trabalho.
Entenda o Processo na CCJ
O trabalho da CCJ, nesta fase, limita-se a verificar a compatibilidade das propostas com a Constituição. Isso é chamado de admissibilidade. O relator Paulo Azi considerou que os textos preenchem os requisitos constitucionais. Por isso, ele entendeu que as propostas podem seguir adiante no Congresso Nacional. No entanto, o debate sobre o conteúdo das PECs, ou seja, o mérito, só acontecerá depois que a CCJ aprovar os textos. Uma comissão especial será criada para essa etapa.
Recomendações do Relator para a Nova Jornada de Trabalho
Mesmo sem entrar no mérito, Paulo Azi incluiu recomendações no seu relatório. Ele sugere, por exemplo, que se discuta uma regra de transição. Esta regra seria progressiva e ajudaria as empresas e o setor produtivo a se adaptarem às novas regras. Assim, a mudança aconteceria de forma mais suave para todos.
O parlamentar citou exemplos de outros países. Ele mencionou que reformas semelhantes no Chile, Colômbia e México foram implementadas de maneira gradual. Nesses locais, a redução da jornada de trabalho ocorreu em etapas. Além disso, consideraram o tamanho das empresas e adotaram cronogramas com reduções anuais. Assim, um regime de transição é crucial. Ele precisa compatibilizar a reforma com a capacidade de absorção das empresas nos próximos debates.
Ainda não há uma data definida para a nova votação das PECs na CCJ. Em suma, o tema da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 continua em pauta. Ele gera expectativa e discussões entre parlamentares, trabalhadores e empresários.
