Uma denúncia de estupro envolvendo um policial rodoviário federal ganhou destaque após um crime chocante no Espírito Santo. O agente, que matou a ex-namorada e depois tirou a própria vida, já havia sido alvo de uma acusação grave meses antes. Uma colega de farda registrou uma denúncia de estupro contra ele em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Ela relatou que a polícia não agiu de forma eficaz no caso. Este episódio levanta questões importantes sobre a proteção de vítimas e a apuração de crimes dentro das corporações.
O caso que chocou o país revelou um histórico preocupante. Diego Oliveira de Souza, policial rodoviário federal, tirou a vida de Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória, dentro da casa dela. Depois, ele cometeu suicídio. O que se descobriu em seguida foi que, cerca de oito meses antes, uma colega de trabalho de Diego havia o denunciado por tentativa de estupro. Essa denúncia ocorreu em uma delegacia de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
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A vítima, que preferiu manter o anonimato, contou detalhes do ocorrido. O crime teria acontecido em um posto da corporação. Ela e Diego estavam em uma ronda quando ele mudou o trajeto. O pretexto era verificar uma unidade operacional em Morro do Coco. Lá, as investidas começaram. O policial tentou forçá-la a ter contato íntimo. A mulher afirma ter pedido para ele parar várias vezes. Ela só conseguiu fazer o agressor recuar quando ameaçou reagir com uma chave que tinha na mão. Este depoimento mostra a seriedade da situação vivida pela ex-agente.
A Denúncia de Estupro e a Morosidade Policial
Após o episódio, a ex-agente registrou a ocorrência na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campos dos Goytacazes. O caso foi qualificado como tentativa de estupro. Em seguida, a investigação foi encaminhada para a Polícia Federal. A vítima, no entanto, expressa um sentimento de impunidade. Ela relata que, apesar de ter arriscado sua vida e a de sua família ao denunciar, o processo não avançou. “Não deu em nada”, desabafou. Ela ainda complementa que ele só parou porque tirou a própria vida, não enfrentando as consequências de seus atos.
A mulher também revelou que passou a ser perseguida pelo agressor. Ele teria feito várias ligações para ela. A lei prevê medidas para proteger a vítima. Por exemplo, o afastamento do agente de suas funções. Isso serve para garantir que a investigação seja justa. Contudo, a ex-agente sente que a instituição não a protegeu. Um processo administrativo disciplinar foi aberto apenas dois meses depois do ocorrido, em setembro. Apesar de algumas oitivas iniciais, o caso não teve andamento. “Os prazos foram se esgotando e nada foi resolvido”, disse. Ela critica a lentidão de um sistema que deveria ter oferecido amparo. Portanto, a falta de ação rápida gerou frustração.
Falhas na Investigação da Denúncia de Estupro
A atuação da Polícia Federal em Campos também recebeu críticas. Segundo a vítima, as investigações não seguiram o curso devido. Ela afirma que sequer foi ouvida formalmente. “Não tem um documento no processo da Polícia Federal”, declarou. A única ação, de acordo com ela, foi um pedido de mais prazo para a apuração. Atualmente, a mulher tenta reconstruir sua rotina. Mesmo assim, ela ainda carrega as marcas da experiência e a frustração com a falta de justiça. A situação destaca a importância de uma resposta rápida e eficaz das autoridades em casos de violência.
A história da ex-agente sublinha a necessidade de que denúncias de estupro e outros crimes sejam tratadas com a seriedade e a urgência necessárias. Falhas no sistema podem ter consequências trágicas, como o desfecho do caso no Espírito Santo. É fundamental que as instituições garantam a proteção das vítimas e a devida punição dos agressores. Somente assim se constrói a confiança na justiça e se previnem novas tragédias.
