Rússia restringe internet e população busca alternativas para se comunicar

A Rússia aperta o cerco digital, limitando redes sociais e serviços online. A população busca alternativas como pagers e mapas de papel para se comunicar. Saiba mais sobre o isolamento da internet na Rússia.

A Rússia está apertando o cerco à liberdade na internet. O governo vem limitando o acesso a diversas redes sociais e serviços digitais, levando muitos a buscar formas de se comunicar e se manter informados. Este cenário de isolamento da internet na Rússia força a população a se adaptar rapidamente às novas regras.

Plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook já não funcionam no país. O Telegram, que é um dos principais meios de comunicação para cerca de 100 milhões de usuários russos, enfrenta bloqueios contínuos. Existe a expectativa de que o aplicativo seja desligado nos próximos dias, o que gerou raras manifestações públicas. O cerco do governo de Vladimir Putin ao uso livre da internet se intensificou desde o conflito com a Ucrânia. Em todo o país, inclusive em grandes cidades como Moscou e São Petersburgo, os apagões digitais são frequentes. Sites que o regime considera “pouco confiáveis” são proibidos, e a navegação se torna cada vez mais restrita.

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Como a população lida com as restrições digitais

Com tantas interrupções e bloqueios, serviços básicos que dependem da internet, como chamar um táxi, fazer pagamentos ou realizar ligações, ficam indisponíveis de uma hora para a outra. Essa instabilidade faz com que as pessoas procurem por soluções analógicas. Por exemplo, a busca por alternativas impulsionou a venda de walkie-talkies, telefones fixos, pagers, mapas impressos e antigos tocadores de MP3. Isso mostra uma volta a tecnologias mais antigas para suprir a falta de conectividade moderna.

Muitos cidadãos, inclusive brasileiros que vivem na Rússia, precisam driblar essas restrições. Eles buscam constantemente novas maneiras de manter contato com familiares e amigos, além de acessar informações que não estão disponíveis nos canais oficiais. A criatividade e a resiliência se tornam essenciais para quem vive sob este regime digital.

A guerra contra as VPNs e o futuro da conexão

Recentemente, o Kremlin começou a focar nas VPNs, que são redes privadas virtuais. Os usuários utilizam essas ferramentas para contornar a censura digital imposta pelo regime. O ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, afirmou que o objetivo é “reduzir o uso” dessas redes. Ele explicou que as medidas visam “restringir o acesso a uma série de plataformas estrangeiras” que, segundo o governo, não respeitam a legislação russa sobre segurança e combate ao terrorismo. Até meados de janeiro, a Rússia já havia bloqueado mais de 400 VPNs, um aumento significativo em relação ao final do ano anterior.

A pressão do governo teve efeitos práticos. A Apple, por exemplo, retirou de sua App Store as VPNs que permitiam o acesso a sites censurados. Além disso, os apagões na internet móvel pelo país, que ainda não são sistemáticos devido à dificuldade de execução em uma rede descentralizada, podem entrar na agenda de forma definitiva. Especialistas preveem que os bloqueios em Moscou passarão a ser mais rotineiros. Eles alertam que as autoridades possuem a tecnologia para impor um apagão digital simultâneo em todo o país, algo semelhante ao que foi observado no Irã, indicando um possível isolamento da internet na Rússia ainda maior. A população, portanto, precisa estar preparada para um cenário de comunicação cada vez mais desafiador.