A imagem de Maduro que viralizou é falsa e foi feita com IA

Uma foto falsa de Nicolás Maduro algemado e com aparência abatida circulou nas redes sociais, mas a imagem foi criada com inteligência artificial. Saiba a verdade sobre essa fake news.

Uma imagem que mostra Nicolás Maduro, o presidente da Venezuela, algemado e com um visual diferente circulou bastante nas redes sociais. Essa foto, que parecia registrar uma audiência dele nos Estados Unidos no final de março, não é real. Ela foi criada usando inteligência artificial. Portanto, é importante desmentir essa informação.

O que dizia a foto falsa de Maduro que viralizou?

Os posts que espalharam a imagem começaram a aparecer no dia 27 de março. Isso aconteceu um dia depois que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, tiveram uma audiência em um tribunal de Nova York, nos EUA. Na ocasião, a Justiça informou que não vai parar as acusações de tráfico de drogas contra o líder venezuelano. As legendas que acompanhavam a foto de Maduro falavam que ele “voltou ao tribunal em Nova York visivelmente mais magro e abatido, em meio a acusações graves de narcotráfico e terrorismo”.

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Outros textos afirmavam: “Maduro reaparece com mudança visual drástica após 80 dias de prisão nos EUA. Imagens feitas durante audiências judiciais mostram o presidente da Venezuela com aparência muito distinta da anterior, gerando especulações sobre seu estado de saúde e o tratamento recebido na prisão.” A imagem em questão mostrava Maduro algemado, com camiseta e calça laranja, que seria o uniforme de uma prisão americana. Ele também aparecia com o rosto magro e abatido. Contudo, todos esses detalhes, incluindo a narrativa de prisão em 2026 ou de 80 dias de detenção, não são verdadeiros.

Por que a imagem de Maduro com IA é falsa?

Ferramentas de IA detectam a fraude

Para verificar a autenticidade da foto, especialistas usaram um detector de imagens sintéticas. O resultado foi claro: o detector veraAI, que faz parte do plugin InVID-WeVerify, encontrou fortes indícios de que a imagem é sintética. A análise mostrou 87% de chance de o material ter sido criado com inteligência artificial. Segundo a escala da ferramenta, percentuais entre 70% e 89% já indicam uma prova sólida de que o conteúdo é artificial. Resultados acima de 90% são considerados uma evidência muito forte.

Detalhes da foto falsa de Maduro não batem com a realidade

Apesar de alguns veículos da imprensa internacional terem notado que Maduro parecia mais magro na audiência real, a roupa da foto não corresponde ao que foi relatado. O jornal britânico “The Guardian”, por exemplo, disse que Maduro vestia um “uniforme cáqui de presidiário” com uma camiseta neon por baixo. A rede de TV americana ABC News mencionou que ele usava uma bata bege e uma camiseta laranja. A agência de notícias Reuters também confirmou que ele estava com um uniforme bege de presidiário. Portanto, a imagem com uniforme laranja de camiseta e calça, como foi mostrada, não é verdadeira.

Não existe registro visual de Maduro em tribunal nos EUA

É importante destacar que não existe nenhuma foto ou vídeo verdadeiro da audiência de Maduro. Nos Estados Unidos, as regras são claras: é proibido transmitir ou gravar imagens em julgamentos de tribunais federais. Os únicos registros permitidos são os chamados “courtroom sketches”, que são desenhos feitos por artistas presentes no local. Dessa forma, qualquer suposta fotografia de uma audiência federal como essa é automaticamente suspeita e, na maioria dos casos, falsa.

Como identificar uma foto falsa de Maduro ou qualquer outra?

Em um mundo com tanta informação e onde a inteligência artificial se torna cada vez mais sofisticada, é essencial saber como verificar o que vemos. Ao encontrar uma imagem suspeita, como a foto falsa de Maduro, procure por sinais de manipulação. Preste atenção em detalhes estranhos, texturas inconsistentes ou iluminação esquisita. Além disso, sempre questione a fonte e procure por checagens de fatos feitas por veículos de imprensa confiáveis. Use ferramentas de busca reversa de imagens e detectores de IA, se possível, para confirmar a autenticidade do conteúdo. A verificação é o melhor caminho para não espalhar desinformação.