A filha de Carla Quiñonez tinha só seis meses quando a avó a mutilou em segredo. Carla soube do ocorrido ao encontrar a criança com febre, inchada e sangrando. Além disso, esta luta busca proteger meninas de um sofrimento que pode durar a vida toda.
A situação da filha de Carla foi dramática. Depois de ver a menina machucada, Carla questionou a avó. A resposta foi que aquilo era normal, e que ela não deveria contar a ninguém. Ademais, a avó ainda disse que homens zombam de mulheres que têm clitóris. Consequentemente, o ex-marido de Carla, ao ver a bebê tão mal, pensou que a mãe tivesse permitido o ato. Ele a agrediu. A menina chorava muito. Contudo, eles tentaram levá-la a um posto de saúde, mas o local era longe e chovia forte. A mãe de Carla, que é parteira, tentou ajudar com algumas plantas. Ela é contra a mutilação e também confrontou a avó, mas sem sucesso.
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As Marcas da Mutilação Genital Feminina
Hoje, aos quatro anos, a filha de Carla sofre dores e infecções urinárias com frequência. Por isso, estes problemas são comuns para quem passa pela Mutilação Genital Feminina. Carla Quiñonez, hoje com 30 anos, faz parte da comunidade indígena emberá e se dedica a acabar com essa prática na Colômbia. Este é o único país da América Latina que ainda registra oficialmente a mutilação.
O que é Mutilação Genital Feminina?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a MGF como a remoção total ou parcial dos genitais externos de mulheres. Inclui também outras lesões causadas a esses órgãos sem motivos médicos. De fato, mais de 300 milhões de meninas e mulheres vivas hoje já passaram por isso. A maioria dos casos acontece na África, Ásia e Oriente Médio. Contudo, a Colômbia se destaca por ser o único país na América Latina com registros confirmados.
Os riscos da MGF são muitos. Ela pode causar sangramentos graves, problemas ao urinar e menstruar, dificuldades no parto e até cistos. Infecções são frequentes. Além disso, a prática aumenta o risco de morte de bebês recém-nascidos e atrapalha o prazer sexual das mulheres. Portanto, as consequências afetam a saúde física e mental por toda a vida.
A Luta para Acabar com a Mutilação Genital Feminina na Colômbia
Carla Quiñonez não fica parada. Ela viaja por lugares afastados, organiza oficinas e conversa com líderes indígenas mais tradicionais. Enfrenta até ameaças por causa do seu trabalho. Ao lado de outras mulheres e políticos, sua participação é muito importante. Assim, existe um projeto de lei contra a mutilação que pode ser aprovado na Colômbia em breve. Este passo é crucial para proteger futuras gerações.
Comunidades Afetadas e Dados Preocupantes
As teorias sobre a origem da prática na Colômbia, entre as comunidades indígenas emberás e afrocolombianas, não têm confirmação. No entanto, o que se sabe é que ela ocorre em comunidades pobres e isoladas. Isso dificulta o acesso à informação e a ajuda médica.
Os números mostram a persistência do problema. Dados do Congresso colombiano indicam 26 casos registrados até outubro de 2025. Em 2024, foram 54 casos. Em 2023, o número chegou a 91. Em suma, a maior parte dos casos ocorre no departamento de Risaralda. Assim, a necessidade de ação é urgente. A luta contra a Mutilação Genital Feminina é um esforço contínuo para garantir que nenhuma menina passe pela dor e pelas consequências que a filha de Carla Quiñonez e tantas outras enfrentam.
