Uma jovem espanhola escolheu a eutanásia e deu uma entrevista poucos dias antes do procedimento. Noelia Castillo, que buscou a Justiça para garantir seu direito, expressou o desejo de “desaparecer” e de acabar com o sofrimento que a acompanhava há anos. Ela falou sobre a dor física e emocional, além da reação de sua família diante da decisão.
Na conversa com a repórter de uma emissora espanhola, Noelia desabafou sobre sua vontade. Além disso, ela contou sobre a recusa da família. “Eles me dizem: ‘Você vai embora e nós ficamos aqui com toda a dor da sua partida’, mas eu penso: e toda a dor que eu já sofri? Só quero ir embora em paz e deixar de sofrer”, afirmou.
Leia também
A Decisão de Noelia Pela Eutanásia
A jovem disse que sua vontade era simplesmente desaparecer. “Sempre me senti sozinha. Nunca me senti compreendida. Nunca tiveram empatia comigo. Não gosto do rumo que o mundo e a sociedade estão tomando; prefiro desaparecer, porque está cada vez pior”, declarou Noelia.
Durante a entrevista, Noelia também relatou o sofrimento físico e emocional que enfrentava. Segundo ela, sentia dores constantes e tinha dificuldade para dormir. Portanto, faltava disposição para atividades do dia a dia. “Dormir é muito difícil para mim. Sinto dores nas costas, nas pernas, dor física diária. Não tenho vontade de nada, nem de sair, nem de comer, só descansar”, contou.
O Sofrimento Diário e os Diagnósticos
Ela enfrentava problemas de saúde mental desde a adolescência. Noelia foi diagnosticada com transtornos psiquiátricos. Entre eles, estavam o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e o transtorno de personalidade borderline.
Além disso, Noelia relembrou episódios traumáticos ao longo da vida. Isso incluía dificuldades familiares, tentativas de suicídio e internações em centros psiquiátricos. Contudo, ela afirmou que sua condição não a deixava totalmente incapacitada. “Não é verdade que eu esteja acamada. Eu me levanto, tomo banho sozinha, me maquio, me organizo sozinha”, explicou.
A Visão da Família e a Firmeza de Noelia
Mesmo assim, ela se mostrava decidida. Por exemplo, ela disse: “Já não posso mais com essa família, com as dores, com tudo o que me atormenta na cabeça. Não quero ser exemplo de ninguém, é simplesmente a minha vida”, afirmou Noelia sobre sua escolha pela eutanásia.
Questionada se se arrependia do procedimento, ela foi direta: “Não, eu tinha isso muito claro desde o início. A felicidade de um pai ou de uma mãe não deve estar acima da felicidade de uma filha”, concluiu a jovem.
A mãe de Noelia, Yolanda Ramos, também falou ao canal. De fato, ela afirmou que não concordava com a escolha da filha, mas respeitava. “Foram três anos de altos e baixos, anos horríveis, em que rezei muito; mas se ela não quiser viver, não aguento mais”, disse. Yolanda afirmou também ter esperança de que a filha fosse desistir. Ela esperava que, no último momento, Noelia mudasse de ideia antes da sedação.
A história de Noelia Castillo, portanto, destaca as complexidades envolvidas na decisão da eutanásia e o impacto que ela tem tanto para quem a escolhe quanto para seus familiares. A Espanha legalizou a eutanásia, permitindo que indivíduos em situações de grande sofrimento e sem perspectiva de melhora possam fazer essa escolha.
