O que o estudo sobre homens tóxicos revelou?
O termo ‘homem tóxico’ ganhou muito espaço em conversas e redes sociais, descrevendo atitudes consideradas machistas, misóginas ou violentas. Mas será que a maioria dos homens realmente se encaixa nessa descrição? Um estudo feito na Nova Zelândia, com mais de 15 mil participantes, aponta para outra direção. A pesquisa sugere que a grande maioria dos homens, cerca de 89,2%, tem poucos ou moderados comportamentos problemáticos. No entanto, especialistas brasileiros alertam: é preciso olhar para esses dados com cuidado, pois a realidade social daqui é bem diferente da neozelandesa, especialmente sobre violência contra a mulher.
Afinal, o que significa ‘homem tóxico’? Nas plataformas digitais, milhares de vídeos usam essa expressão para mostrar sinais de um comportamento que pode ser machista ou violento. A ciência, por sua vez, já tenta entender melhor esse conceito. Antes mesmo deste estudo, já existiam tentativas de criar listas de verificação para identificar esses traços. Agora, a nova pesquisa buscou uma resposta mais ampla: a maioria dos homens mostra esses comportamentos ou não?
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A pesquisa da Nova Zelândia e os perfis de homens
A pesquisa da Universidade de Auckland analisou vários aspectos da masculinidade. Cientistas observaram desde a agressividade e o controle das emoções até as visões sobre mulheres e as normas de gênero. Com base nisso, eles dividiram os participantes em cinco grupos diferentes. O grupo considerado ‘atóxico’, ou seja, sem traços problemáticos, foi o maior de todos. Cerca de 35% dos homens da pesquisa estavam nesse perfil, mostrando os menores níveis de comportamentos vistos como problemáticos. Por outro lado, o grupo mais extremo, chamado de ‘tóxico hostil’, foi o menor, representando apenas 3,2% dos entrevistados.
Identificando comportamentos problemáticos
Para classificar os homens no grupo mais problemático, os pesquisadores usaram oito indicadores principais. Os homens classificados como ‘hostis’, por exemplo, tinham pontuações altas em vários pontos. Entre eles, a crença de que mulheres querem controlar os homens e a valorização da agressividade e da dominação. Além disso, eles apresentavam grande dificuldade para expressar sentimentos e rejeitavam características consideradas femininas. Outros sinais incluíam maior preconceito e uma tendência a controlar relacionamentos íntimos, além de pouca capacidade para lidar com as próprias emoções.
A realidade brasileira e os homens tóxicos
Mesmo com os resultados da Nova Zelândia, especialistas no Brasil fazem um alerta. É importante considerar a grande diferença social entre os dois países. No Brasil, infelizmente, os casos de violência contra a mulher batem recordes. Além disso, muitos homens brasileiros sentem que há uma cobrança excessiva sobre eles em relação à igualdade de gênero. Portanto, aplicar os resultados de um estudo estrangeiro diretamente à nossa realidade pode não ser o ideal. A discussão sobre ‘homens tóxicos’ aqui precisa levar em conta o contexto local, os desafios e as particularidades culturais.
Usar o termo ‘homem tóxico’ de forma ampla, como um rótulo geral, pode não ajudar a promover uma mudança de comportamento. Se o objetivo é realmente evoluir nas relações e diminuir a violência, talvez seja mais eficaz focar em ações e discussões que incentivem a reflexão e a transformação. Afinal, entender os comportamentos problemáticos é o primeiro passo para criar uma sociedade mais justa e igualitária para todos.
