Combate à Meningite: Metas Globais da OMS Podem Não Ser Atingidas Até 2030

O combate à meningite global desacelerou, e as metas da OMS para 2030 podem não ser atingidas. Entenda os desafios e o que fazer para se proteger.

O combate à meningite em nível global enfrenta desafios significativos. Dados recentes mostram que, apesar de progressos em décadas passadas, o ritmo de redução de casos e mortes pela doença diminuiu. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu metas importantes para controlar a meningite até 2030, mas o cenário atual indica que alcançá-las será difícil sem um esforço renovado. Milhares de pessoas ainda morrem anualmente, e milhões contraem a doença, exigindo atenção urgente para reverter essa tendência.

Em 2023, mais de 250 mil pessoas perderam a vida devido à meningite, um número que ainda supera a meta estabelecida pela OMS. Além disso, 2,5 milhões contraíram a doença. Estes números vêm de um levantamento publicado na revista científica “The Lancet Neurology”. A análise aponta que, entre 1990 e 2023, houve uma queda de 63,5% nas taxas de mortalidade por 100 mil habitantes. Embora essa redução seja expressiva, ela não está alinhada com as diretrizes da OMS.

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Metas da OMS para o Combate à Meningite

Em 2021, a OMS lançou um documento com objetivos claros para o combate global à meningite. Entre as principais metas, estão:

  • Eliminar epidemias de meningite bacteriana.
  • Reduzir em 50% o número de casos de meningite bacteriana que podem ser prevenidos por vacina e diminuir as mortes em 70%.
  • Reduzir a incapacidade e melhorar a qualidade de vida após a contração de meningite por qualquer causa.

Contudo, o estudo da Lancet destaca que o avanço desacelerou bastante a partir de 2015. No período entre 2015 e 2023, a queda na mortalidade foi de apenas 25,4%. Para que as metas da OMS para 2030 sejam atingidas, seria preciso uma redução anual de cerca de 8% nas mortes e de 4,6% na incidência da doença. Em comparação, as taxas anuais de redução observadas entre 2015 e 2023 foram de somente 4,1% nas mortes e 2,2% na incidência. Isso mostra uma diferença considerável entre o que se alcançou e o que ainda precisa ser feito.

Por Que o Avanço no Combate à Meningite Diminuiu?

O relatório ressalta que o progresso visto nos anos 2000 e 2010 aconteceu principalmente por causa de campanhas de vacinação que deram certo. Essas campanhas praticamente eliminaram alguns tipos da doença, especialmente na região conhecida como cinturão da meningite, uma área mais propensa a grandes epidemias. No entanto, o cenário mudou.

Atualmente, o aumento de casos causados por tipos da bactéria que as vacinas existentes não cobrem e a resistência aos antibióticos são os principais fatores que dificultam o combate à doença. Consequentemente, isso impede que os números se aproximem das metas estabelecidas. Renato Kfouri, infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que variações nos casos da doença são normais com o tempo, mesmo com o uso de vacinas. Mas o surgimento de novas variantes sempre pode piorar a situação. Por exemplo, “os surgimentos de clones de bactérias como o pneumococo ou meningococo, que são mais virulentos, explicam essas oscilações temporais”, analisa o especialista. Portanto, a vigilância constante é fundamental.

Crianças: O Grupo Mais Afetado pela Doença

Os dados também mostram que as crianças menores de 5 anos são o grupo mais atingido pela meningite. Este fato sublinha a urgência de fortalecer as estratégias de prevenção e tratamento focadas nessa faixa etária. Além disso, a proteção infantil contra a doença exige campanhas de vacinação eficazes e acesso facilitado a cuidados de saúde. Assim, é possível diminuir o impacto da doença sobre os mais vulneráveis.

Reforçando o Combate e a Prevenção

Para reverter a desaceleração no combate à meningite, é essencial investir em pesquisa para novas vacinas que cubram mais tipos da bactéria. Da mesma forma, precisamos desenvolver tratamentos mais eficazes e monitorar a resistência aos antibióticos. É preciso também fortalecer os sistemas de saúde pública, garantindo que as campanhas de vacinação alcancem toda a população, especialmente em regiões de maior risco. Portanto, a colaboração internacional e o compromisso de governos e organizações de saúde são cruciais para proteger a vida de milhões de pessoas.