Vídeo que liga Lula à água no Maranhão é fake e foi gravado no Iêmen

Um vídeo viral que supostamente mostra o governo Lula abrindo comportas no Maranhão para fins eleitorais é, na verdade, uma fake news. As imagens foram gravadas no Iêmen, e o projeto de transposição do São Francisco não chega ao estado nordestino.

Uma fake news Lula tem circulado nas redes sociais, afirmando que o governo atual teria represado a água de um rio no Maranhão por três anos e a liberado apenas em 2026, por motivos eleitorais. No entanto, essa informação não é verdadeira. O vídeo que acompanha as publicações, mostrando a abertura de comportas e a chegada de água em uma região seca, foi gravado no Iêmen e não tem qualquer relação com o Brasil ou com o presidente. É importante verificar a origem das informações antes de acreditar e compartilhar.

Desde 5 de abril, posts no X, Facebook e Instagram mostram um vídeo da liberação de água por comportas em uma barragem. O riacho voltava a percorrer um leito que estava completamente seco. A legenda desses posts é sempre a mesma: “Se é VERDADE, esse ‘governo’ fechou o fluxo de água para submeter o NORDESTINO ao sofrimento, agora, ano ELEITORAL, libera a água para que Lula seja o ‘Salvador’. Que monstro”.

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A Falsa Narrativa nas Redes Sociais

No vídeo, um homem narra a cena, ligando a abertura das comportas a uma ação eleitoral do governo federal no Maranhão. Ele diz: “E olha só que alegria novamente. Depois de três anos, graças a Deus, o governo liberou nossa aguinha aqui para o Nordeste. Tá aí, abriu as comportas hoje, a água está chegando no Nordeste novamente. Parabéns, presidente, queremos agradecer ao presidente por soltar essa água. Para nós, aqui do Maranhão, é uma riqueza. A água chegando novamente do rio São Francisco, ainda bem que as comportas foram abertas. É o presidente do povo […]”.

Desvendando a Verdadeira Origem do Vídeo

Apesar de o vídeo ser real e não ter sido criado por inteligência artificial, ele foi filmado no Iêmen em março de 2026. Ele mostra a abertura das comportas por conta do início do período de cheias na região. O áudio original do vídeo tem vozes de homens conversando em árabe, sem qualquer narração em português. Portanto, a ligação com o governo brasileiro é totalmente falsa.

Além disso, o projeto de transposição do Rio São Francisco, que leva água a diferentes áreas do semiárido nordestino, não inclui o Maranhão em seu trajeto. Este projeto atende estados como Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A informação de que a água do São Francisco estaria chegando ao Maranhão por meio dessa transposição também não é verdadeira.

A Resposta Oficial sobre a Fake News Lula

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) foi consultada sobre o assunto. A pasta negou a alegação que viralizou nas redes sociais. Em resposta, a Secom afirmou que o conteúdo é falso. Não houve qualquer “liberação de água dos rios” por motivação eleitoral em 2026. A operação de sistemas hídricos no Nordeste segue critérios técnicos, definidos pela demanda dos estados e pelas condições dos reservatórios, sem qualquer relação com o calendário eleitoral.

A Secom também reforçou que a afirmação sobre a água do Rio São Francisco chegar ao Maranhão é incorreta. O projeto de integração atende apenas estados do semiárido como Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Portanto, a narrativa apresentada nos vídeos não tem base na realidade.

Impacto e Circulação da Fake News Lula

Esta desinformação viralizou em meio à pré-campanha para as eleições de 2026. Em períodos eleitorais, a circulação de notícias falsas se intensifica, buscando influenciar a opinião pública. Por exemplo, pesquisas recentes apontam Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente nas intenções de voto. No segundo turno da disputa de 2022, Lula teve 69,34% dos votos válidos no Nordeste contra Jair Bolsonaro (PL).

É crucial que os usuários de redes sociais estejam atentos. Verificar a fonte e a veracidade das informações é essencial para combater a desinformação. Compartilhar conteúdo sem checagem pode espalhar mentiras e prejudicar o debate público. Portanto, sempre desconfie de narrativas que parecem sensacionalistas ou que buscam atribuir intenções políticas duvidosas a fatos.