Casos de assédio no STJ envolvendo o ministro Marco Buzzi vieram à tona. Uma ex-funcionária terceirizada do gabinete do magistrado relatou ter sofrido toques inapropriados e ouvido comentários indesejados. Ela disse que o ministro teria tocado suas nádegas, segurado seus braços e mostrado uma foto sensual no celular. As denúncias de assédio no STJ ganham destaque após outra jovem, de 18 anos, também acusar Buzzi de conduta similar em uma praia de Santa Catarina.
Duas testemunhas, que trabalham no gabinete de Buzzi, confirmaram os relatos. Elas afirmaram que a ex-funcionária contava sobre os episódios de assédio sexual enquanto eles aconteciam, entre os anos de 2023 e 2025. A funcionária decidiu fazer a denúncia este ano, motivada pelo caso da jovem. Antes, ela não havia se manifestado por medo das consequências.
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Afastamento e Investigação de Assédio no STJ
A defesa do ministro Marco Buzzi criticou o vazamento dos depoimentos. Eles afirmam que a divulgação viola as regras de sigilo do procedimento. Os relatos da ex-funcionária e das testemunhas fazem parte de um processo administrativo. Este procedimento busca apurar a conduta de Buzzi de forma preliminar.
O ministro está afastado de suas funções desde 10 de fevereiro. A decisão partiu de seus colegas do STJ. Na próxima terça-feira, 14 de maio, os membros do tribunal vão decidir se abrem um processo administrativo formal contra Buzzi. Se isso acontecer, ele pode ser afastado do cargo de forma definitiva.
Os Relatos da Ex-Funcionária sobre Assédio
A funcionária terceirizada começou a trabalhar no gabinete de Buzzi em 2022. Ela atuava como mensageira, logo após se formar em direito. Ela considerava o emprego uma grande oportunidade. Por isso, chegava às 8h para abrir o gabinete, antes dos outros funcionários. Dessa forma, passava cerca de duas horas por dia sozinha com o ministro no ambiente de trabalho.
Ela descreveu o primeiro episódio suspeito em 2023. Enquanto organizava os livros do ministro, ele a acompanhava. Quando ela colocou um livro de volta na estante, a mão dele teria passado sobre seu bumbum. Ela se esquivou rapidamente, pensando que havia sido um contato acidental. No entanto, outros eventos aconteceram, o que mudou sua percepção.
Um segundo episódio ocorreu quando ela foi à despensa do gabinete. O ministro disse ter ouvido um barulho e ela foi verificar. Quando ela abriu as portas do armário, ele estava atrás dela. O espaço era pequeno, o que a fez tentar sair da situação. Naquele momento, ela teve certeza de que o primeiro contato não foi por acaso. Além disso, em outro relato, o ministro a chamou para ir até a assessoria do gabinete, uma área diferente de onde ela trabalhava. Estes incidentes reforçam as acusações de assédio no STJ.
A ex-funcionária mencionou ainda que o ministro a chamou para conversar e mostrar fotos no celular. Ele teria exibido uma foto sensual, o que a deixou desconfortável. Ela ressaltou que, por ser uma pessoa tímida e reservada, sentiu-se muito mal com a situação. Portanto, os depoimentos detalham uma série de comportamentos inadequados que teriam ocorrido dentro do ambiente de trabalho no STJ.
