A soltura de Ramagem nos Estados Unidos pegou as autoridades brasileiras de surpresa nesta semana. O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que estava preso em Orlando, Flórida, por questões migratórias, foi liberado após apenas dois dias de detenção. No Brasil, ele é considerado foragido e enfrenta uma condenação de 16 anos por sua participação em uma trama golpista. A Polícia Federal (PF) aguardava que ele permanecesse detido para iniciar negociações de deportação, mas a realidade se mostrou diferente, levantando muitas dúvidas sobre os próximos passos do caso.
Liberação Inesperada e a Reação da PF
A Polícia Federal no Brasil não recebeu um aviso formal sobre a liberação de Alexandre Ramagem. Na quarta-feira (15), o nome dele já havia desaparecido das listas de detidos. Isso aconteceu tanto no centro de detenção no Condado de Orange, Flórida, quanto no sistema do Serviço de Imigração dos EUA (ICE). A TV Globo confirmou que a polícia local o soltou às 14h52 do horário de lá, que correspondia às 15h52 em Brasília.
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O governo brasileiro esperava que Ramagem continuasse preso enquanto tentavam negociar sua vinda para o Brasil. Afinal, ele é um foragido aqui. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi condenado a dezesseis anos de prisão por seu envolvimento na tentativa de golpe. O Supremo Tribunal Federal (STF) apontou que ele usou a Abin para ajudar a manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. Portanto, a soltura de Ramagem complica os planos.
Esforços de Deportação Após a Soltura de Ramagem
Antes da liberação, as autoridades brasileiras já preparavam um relatório detalhado. Este documento continha informações e provas para tentar agilizar a deportação de Ramagem para o Brasil. O plano era entregar este material ao Enforcement and Removal Operations (ERO), que é a divisão da polícia americana responsável por prender quem viola as leis de imigração. O grande objetivo era justamente impedir que ele fosse solto, o que, como vimos, acabou acontecendo.
Além disso, o Brasil pretende, com a cooperação policial, evitar que Ramagem consiga asilo político nos Estados Unidos. O ex-parlamentar já fez esse pedido. Uma reunião entre a Polícia Federal brasileira e o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA estava marcada para esta quinta-feira (16). Contudo, depois da soltura de Ramagem, a PF ainda busca saber se o encontro realmente acontecerá.
A Saída Clandestina do Brasil e a Soltura de Ramagem
A Polícia Federal revelou como Ramagem deixou o Brasil. Ele saiu em setembro do ano passado, passando por Roraima e entrando na Guiana de carro, de forma clandestina. As autoridades informaram que ele cruzou a fronteira por terra entre os dois países e seguiu até Georgetown, a capital guianense. De lá, embarcou em um avião para os Estados Unidos.
O relatório que está sendo preparado deve mostrar que essa viagem, ocorrida em 2025, teve o apoio de uma organização criminosa ligada ao garimpo ilegal. “Não é preciso um pedido especial de deportação. Nós entendemos que, se aceitarem nossos argumentos, a deportação é automática”, afirmam os investigadores. Isso mostra a confiança das autoridades brasileiras na força dos documentos que prepararam, mesmo após a inesperada soltura de Ramagem. A situação, por conseguinte, permanece sob intensa observação, pois o governo brasileiro busca maneiras de trazê-lo de volta ao país.
