Patrimônio de ‘Sicário’ Dispara com Coleção de Relógios de Luxo

O patrimônio de Luiz Phillipi Mourão, o 'Sicário', disparou para quase R$ 12 milhões em cinco anos, com a maior parte vindo de relógios de luxo. As declarações à Receita Federal revelam inconsistências investigadas pela Polícia Federal.

O patrimônio de Sicário, Luiz Phillipi Mourão, teve um salto impressionante. Ele é apontado por investigadores como o braço violento do banqueiro Daniel Vorcaro. Entre 2019 e 2024, seus bens declarados à Receita Federal multiplicaram por quatro, alcançando quase 12 milhões de reais. A maior parte desse valor, cerca de 6,7 milhões de reais, veio de uma vasta coleção de relógios de luxo. Em outras palavras, essa expansão rápida levanta questionamentos. As autoridades analisam a origem desse crescimento, pois os rendimentos informados por Mourão parecem não justificar tal aumento.

Crescimento Acelerado do Patrimônio de Sicário

As informações sobre o aumento do patrimônio de Sicário surgiram das declarações de Imposto de Renda de Mourão. A Receita Federal repassou esses documentos à CPI do Crime Organizado. Em cinco anos, o valor declarado por ele passou de 2,9 milhões para 11,9 milhões de reais. Isso representa um aumento de 301%. Mais da metade desse total, precisamente 57%, concentra-se em sua coleção de relógios de alto valor.

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A Polícia Federal (PF) investiga o caso. Segundo a apuração, Mourão recebia um milhão de reais por mês de Vorcaro. Esse dinheiro seria um pagamento por “serviços ilícitos”. Contudo, os documentos fiscais de Mourão, referentes aos anos de 2020 a 2024, indicam uma renda total de 2,5 milhões de reais. Essa quantia vinha de empresas nas quais ele era sócio. Assim, o montante é bem menor que o aumento do seu patrimônio no mesmo período. Isso gera um grande ponto de interrogação sobre a origem dos recursos. Além disso, nem os empréstimos registrados nem os pagamentos feitos correspondem ao valor acrescido em seus bens.

Relógios de Luxo e Declarações Confusas

A análise das declarações de Mourão revela várias inconsistências. Por exemplo, em 2024, ele declarou um patrimônio de 8,4 milhões de reais. Contudo, nesse mesmo ano, ele adquiriu três relógios. Juntos, eles valiam 3,9 milhões de reais. Curiosamente, ele informou à Receita apenas 390 mil reais. Este valor correspondia às primeiras parcelas desses itens. Assim, o valor real dos bens do “Sicário” em 2024, na verdade, atingiria 11,9 milhões de reais.

Existe um padrão de retificações nas declarações de Mourão. Ele frequentemente aumenta o valor de bens já existentes. Ou ainda, adiciona novos itens que não haviam sido informados anteriormente. Um exemplo claro é seu apartamento em Belo Horizonte. Desde 2019, o imóvel era declarado por 1 milhão de reais. Em 2021, o valor caiu para 550 mil reais na declaração. Depois, voltou a 1 milhão de reais em 2022. Essas mudanças, em pelo menos duas declarações (anos-fiscais de 2021 e 2022), fizeram o patrimônio do “Sicário” aumentar mais que o dobro. Isso ocorreu em relação ao que havia sido inicialmente enviado à Receita Federal. Uma das principais razões para esse salto expressivo entre a declaração inicial e a retificada foi a ausência de registro da coleção de nove relógios para o ano-fiscal de 2021.

O Trágico Fim e Outras Acusações

Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Sob custódia da Polícia Federal, ele cometeu suicídio em 6 de março. Antes de seu falecimento, Mourão já havia sido alvo de denúncias. Por exemplo, ele era acusado de aplicar golpes contra investidores. Consequentemente, isso adiciona mais uma camada de complexidade ao seu histórico e ao seu enigmático patrimônio de Sicário. As investigações continuam buscando clarear todas as circunstâncias envolvendo seus bens e atividades.