Câmara aprova teto para seguro-defeso e envia texto a Lula

A Câmara dos Deputados aprovou novas regras para o seguro-defeso, incluindo um teto de gastos de R$ 7,9 bilhões para 2026. O texto, que busca combater fraudes e garantir o auxílio a pescadores, segue para sanção presidencial. Saiba mais sobre as mudanças e como elas afetam o benefício.

O seguro-defeso, um benefício importante para pescadores, acaba de passar por mudanças significativas na Câmara dos Deputados. Os parlamentares aprovaram um texto que define um limite de gastos de R$ 7,9 bilhões para 2026. Agora, a decisão final está nas mãos do presidente Lula. Ele, portanto, vai sancionar ou vetar a proposta. Essas alterações buscam organizar melhor o pagamento e, além disso, combater possíveis fraudes. O sistema, afinal, ajuda quem vive da pesca durante o período de proibição.

A medida provisória já havia recebido o aval da Câmara anteriormente. Contudo, ela precisou voltar para nova análise dos deputados. Isso ocorreu porque o Senado fez algumas alterações no conteúdo. Ao retomar a votação, os deputados decidiram, então, rejeitar as cinco emendas que os senadores haviam aprovado. Assim, o texto que segue para o presidente é aquele que a Câmara defendeu desde o início.

PUBLICIDADE

Entenda o Seguro-Defeso

O seguro-defeso funciona como um auxílio financeiro para pescadores artesanais. Ele garante a subsistência desses profissionais durante o período de reprodução dos peixes. Nesse momento, a pesca é proibida. Essa proibição, por sua vez, visa proteger as espécies. Ela assegura a renovação dos estoques pesqueiros e a sustentabilidade da atividade. Sem esse benefício, muitos pescadores ficariam sem renda durante o defeso. Consequentemente, isso comprometeria o sustento de suas famílias.

Historicamente, o programa enfrenta desafios relacionados a fraudes e à dificuldade de fiscalização. Por isso, o governo e o legislativo têm buscado aprimorar as regras. O objetivo é garantir que o auxílio chegue realmente a quem precisa. Desde o ano passado, o acesso ao benefício já exige a confirmação por biometria. Ademais, a inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) também é obrigatória. Isso, por exemplo, aumenta o controle sobre os beneficiários.

Principais Mudanças Aprovadas para o Seguro-Defeso

Durante a votação na Câmara, algumas decisões importantes foram tomadas. Elas impactam diretamente as regras do seguro-defeso. Uma delas foi a retomada da possibilidade de pagamento do benefício relativo a anos anteriores. Esse trecho havia sido suprimido pelos senadores. Porém, os deputados o reintroduziram na versão final do projeto. Essa medida, portanto, pode ajudar muitos pescadores que tiveram pagamentos atrasados ou não recebidos em períodos anteriores.

Além disso, os parlamentares retiraram do texto uma exigência. Ela pedia do trabalhador a apresentação de documentos fiscais. Esses documentos precisavam comprovar a venda do pescado. Também eram acompanhados da contribuição previdenciária de pelo menos seis meses antes do período do defeso. Na versão final, esse prazo de seis meses para a contribuição também foi suprimido. Assim, simplificam-se os requisitos para que o pescador possa acessar o auxílio.

Mais Rigor e Menos Burocracia no Seguro-Defeso

A proposta aprovada pela Câmara cria mecanismos para evitar fraudes de forma mais eficiente. O governo poderá usar registros da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo é confirmar os dados dos solicitantes. Isso adiciona camadas de segurança e cruza informações. Consequentemente, dificulta-se que pessoas não elegíveis recebam o benefício.

Um ponto rejeitado pelos deputados foi a redação admitida pelos senadores. Ela visava deixar claro o limite de renda para o pescador solicitar o benefício. Essa versão estabelecia o limite do CadÚnico, que é meio salário mínimo por pessoa da família. A Câmara, no entanto, optou por não incluir essa especificação. Isso mantém a flexibilidade ou, potencialmente, deixa a definição para regulamentação futura. Em suma, as mudanças buscam equilibrar a proteção ao pescador com a necessidade de fiscalização e uso responsável dos recursos públicos.