A Câmara dos Deputados deu um passo importante esta semana. Eles aprovaram, em primeira votação, uma proposta que pretende garantir mais dinheiro para a assistência social. Essa medida exige que pelo menos 1% do orçamento federal, estadual e municipal seja usado nesta área. Isso pode mudar o cenário do orçamento assistência social no país.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em questão busca estabelecer um piso anual. Ou seja, um valor mínimo a ser destinado à assistência social. O texto prevê que 1% da receita corrente líquida de todos os entes federativos — União, estados e municípios — seja aplicada nesse setor. Além disso, a proposta não permite que os repasses federais para a área sejam contabilizados como parte do piso dos estados e municípios. Essa regra visa assegurar que cada esfera de governo faça seu próprio investimento.
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A implementação deste piso não será imediata. Ele vai acontecer de forma gradual ao longo de quatro anos. No primeiro ano, a exigência é de 0,3% da receita. No segundo, sobe para 0,5%. No terceiro ano, chega a 0,75%. A partir do quarto ano, finalmente, o percentual obrigatório atinge 1%. Este escalonamento foi um dos pontos mais debatidos entre os parlamentares.
O impacto financeiro da PEC é significativo. Estima-se que, nos primeiros quatro anos, o projeto movimente cerca de R$ 36 bilhões. Esse valor representa um aumento considerável nos recursos disponíveis para programas e ações de assistência social em todo o Brasil. Portanto, a medida tem potencial para fortalecer a rede de apoio a quem mais precisa. Assim, ela busca um financiamento mais robusto para a área.
Próximos Passos da Proposta
A aprovação em primeiro turno na Câmara é apenas uma etapa. A proposta ainda precisa passar por uma segunda votação entre os deputados. Se for aprovada novamente, ela segue para o Senado Federal. Lá, os senadores também precisarão analisá-la e aprová-la em dois turnos. Somente após todas essas aprovações, a PEC será promulgada e entrará em vigor. A expectativa é que a segunda votação na Câmara ocorra na próxima semana.
Debate sobre a Vinculação de Verbas
A ideia de vincular uma porcentagem do orçamento para uma área específica gerou discussões. Alguns deputados se mostraram contra essa prática. Eles argumentam que já existem pisos para a Saúde e a Educação. O deputado Kim Kataguiri (União-SP), por exemplo, defendeu que presidentes, governadores e prefeitos devem ter autonomia para decidir onde gastar o dinheiro público. Segundo ele, vincular o orçamento tiraria essa responsabilidade dos gestores.
O governo, por sua vez, reconheceu o grande impacto fiscal da proposta. No entanto, o líder do governo afirmou que não poderia se posicionar contra um tema com tanto apelo social. A PEC recebeu o apoio da maioria da Câmara. Mesmo com os desafios fiscais atuais, o governo optou por não barrar a proposta, dada sua relevância para a população.
A Importância do Orçamento para a Assistência Social
Já os deputados que apoiam a PEC destacaram a importância de garantir investimentos mínimos. Eles acreditam que, sem a vinculação orçamentária, o sistema de assistência social fica subfinanciado. O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) argumentou que, em uma sociedade desigual como a brasileira, o Estado precisa assegurar recursos para áreas prioritárias. Ele criticou a visão de que não se deve vincular o orçamento, especialmente quando os interesses do mercado financeiro muitas vezes prevalecem.
Dessa forma, a aprovação em primeiro turno da PEC representa um avanço. Ela busca dar mais estabilidade e previsibilidade ao orçamento assistência social. Garantir esses recursos pode significar a ampliação e a melhoria de serviços essenciais. Isso inclui programas de apoio a famílias em vulnerabilidade, idosos, pessoas com deficiência e outros grupos que dependem do suporte do Estado.
