Um vídeo tem circulado amplamente na internet, exibindo o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nele, muitas pessoas afirmam que Trump estaria admitindo um ataque do Irã contra um porta-aviões americano. Contudo, essa interpretação está errada. O vídeo de Trump porta-aviões foi completamente tirado de contexto. O que ele realmente disse se refere a um evento diferente, e não a um ataque iraniano. É importante entender a verdade por trás dessa história para evitar a disseminação de informações falsas.
A gravação viralizou a partir do final de março em muitas redes sociais, como Instagram, Threads, Facebook e TikTok. Os posts mostram o vídeo com uma frase sobreposta que diz: “TRUMP ADMITE AT4QUE AO MAIOR PORTA-AVIÕES DO MUNDO: ‘CORREMOS POR NOSSAS VIDAS'”. Além disso, uma legenda no TikTok detalhava: “Trump admitiu publicamente que o Irã atacou o Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, de 17 ângulos diferentes, dizendo: ‘Corremos por nossas vidas, havia acabado'”. Essa narrativa, portanto, gerou alarme e confusão entre os usuários sobre o vídeo de Trump porta-aviões.
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O Contexto Real da Fala de Trump sobre o Porta-aviões
Embora o vídeo seja real – ou seja, não foi criado por inteligência artificial – ele está sendo usado para enganar. Na verdade, a gravação mostra um discurso de Donald Trump feito em 27 de março. Na ocasião, ele estava relembrando uma operação militar na Venezuela, que tinha como objetivo capturar o ditador Nicolás Maduro, ocorrida em janeiro. Os posts que espalham a desinformação omitem essa parte importante da história.
Além disso, o trecho específico que viralizou mostra Trump falando do ponto de vista de um general venezuelano. A parte anterior do discurso, que deixava essa perspectiva clara, foi cortada intencionalmente. Assim, a manipulação do conteúdo engana quem assiste, fazendo parecer que ele falava por si mesmo sobre um ataque real.
O Que Trump Realmente Disse sobre o Porta-aviões
A fala original de Trump, em inglês, era a seguinte: “E ele [o general venezuelano] disse: ‘Estávamos preparados para eles. Sabíamos que havia um problema quando percebemos que, à 1h da manhã, a cada 32 segundos, outro avião – um avião muito rápido – decolava do convés de um porta-aviões. Esse é o maior porta-aviões do mundo. E, a cada 32 segundos, bum, bum, bum. E era 1h da manhã. Então, dissemos: OK, acho que estamos em apuros. Mas eles estavam preparados para nós, Johnny […]. E, aí, eles nos atingiram e vieram de 17 ângulos diferentes. Estavam aqui, estavam ali. Corremos para salvar nossas vidas. Acabou e… acabou'”.
Nos posts que espalham a mentira, a legenda em português exclui a primeira frase, que identifica o general venezuelano. Ela também insere uma palavra que Trump nunca disse. O resultado final ficou assim: “Na plataforma, nós sabíamos que havia um problema…”. Essa alteração, por conseguinte, muda completamente o sentido do que foi falado e induz o público ao erro.
Outras Alegações Falsas Envolvendo Ataques a Porta-aviões
Os posts enganosos começaram a circular apenas três dias depois que o Irã afirmou ter atingido o USS Abraham Lincoln, um porta-aviões diferente do Gerald Ford. Essa informação, no entanto, não teve confirmação pelo governo americano até a última atualização desta reportagem. Antes disso, em 1º de março, as Forças iranianas já haviam mencionado um ataque à mesma embarcação, o que os EUA também negaram. É fundamental, portanto, verificar sempre as fontes antes de acreditar em notícias que causam alarme.
O USS Gerald Ford, que aparece nos posts falsos sobre o vídeo de Trump porta-aviões, foi enviado para perto da Venezuela em novembro de 2023. Seu objetivo era pressionar o governo de Maduro. Em fevereiro deste ano, contudo, ele seguiu rumo ao Oriente Médio. Pouco depois, precisou ser enviado para manutenção devido a um incêndio e falhas técnicas. Entender a cronologia e o contexto real dos eventos ajuda a desmascarar a desinformação.
Combater a desinformação é um trabalho contínuo. Ao se deparar com notícias sensacionalistas, especialmente aquelas envolvendo figuras públicas e eventos geopolíticos, é crucial buscar a verificação em fontes confiáveis. Não compartilhar vídeos ou textos sem antes checar a veracidade dos fatos é uma forma importante de evitar que mentiras se espalhem.
