Tráfico de Escravos Africanos: ONU Faz Declaração Histórica

A ONU declarou o Tráfico de Escravos Africanos como o crime mais grave contra a humanidade, pedindo reparações e justiça.

A Organização das Nações Unidas (ONU) deu um passo importante. No dia 26 de março, ela declarou que o Tráfico de Escravos Africanos foi o crime mais grave contra a humanidade. Essa decisão chega após a assembleia geral votar e aprovar uma resolução que também pede reparação para as vítimas e seus descendentes. Cerca de 12,5 milhões de pessoas foram capturadas e vendidas para a escravidão nas Américas, um período sombrio da história que marcou profundamente o continente africano e o mundo.

A Votação da ONU sobre o Tráfico de Escravos Africanos

A votação da resolução teve um apoio grande. Representantes de 123 países votaram a favor da medida. Contudo, alguns países não apoiaram. Estados Unidos, Israel e Argentina votaram contra. Além disso, 52 nações, incluindo o Reino Unido e países da União Europeia como Portugal e Espanha, escolheram se abster. Este resultado mostra as diferentes visões sobre um tema tão sensível e sobre as consequências do Tráfico de Escravos Africanos.

PUBLICIDADE

Por Que a Declaração é Necessária?

Os Estados Unidos e a União Europeia apresentaram seus motivos para não apoiar a resolução. Eles disseram que a medida poderia criar uma ‘hierarquia’ entre crimes contra a humanidade. O embaixador dos EUA na ONU, Dan Negrea, falou que o país se opõe ao ‘uso cínico de injustiças históricas’. Para ele, de fato, isso seria uma moeda de troca para realocar recursos para pessoas e nações com pouca ligação às vítimas históricas.

Por outro lado, Gana, que propôs a resolução, defende que ela é essencial. O país quer abrir caminho para justiça e reparação aos descendentes das pessoas traficadas. Nesse sentido, o presidente de Gana, John Dramani Mahama, acusou os oponentes de tentar ‘normalizar o apagamento da história’. Ele reforçou que as consequências da escravidão ainda são visíveis hoje, como as disparidades raciais que afetam milhões de pessoas.

Um Marco para a Justiça Histórica

A votação aconteceu durante uma sessão especial da ONU. Esta sessão marcou o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, celebrado todo dia 25 de março. A data lembra a importância de não esquecer este período. Justin Hansford, professor de direito da Universidade Howard, explicou a importância da resolução.

Ele disse à agência Reuters que este é o maior avanço da ONU no reconhecimento da escravidão transatlântica como um crime. Ele também destacou o pedido de reparação. ‘Esta é a primeira votação no plenário da ONU’, afirmou Hansford, sublinhando a relevância deste passo. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, também se manifestou. Ele disse à Assembleia Geral que são necessárias ‘ações muito mais ousadas’ para lidar com o legado da escravidão. Assim, a declaração da ONU não é apenas um reconhecimento. Ela também é um chamado para futuras ações e para que a história seja lembrada e suas feridas, de alguma forma, tratadas.