Ato Histórico: Francês Faz Pedido de Desculpas por Escravidão
Um homem de 86 anos na França fez um pedido de desculpas por escravidão nunca antes visto. Ele é o primeiro no país a se desculpar formalmente pelo papel de sua família no tráfico transatlântico de pessoas. Pierre Guillon de Prince, de 86 anos, espera que seu gesto inspire outras famílias. Ele também quer que o governo francês confronte seu passado e tome atitudes. Em outras palavras, este ato aconteceu em Nantes, uma cidade com ligação à história do tráfico de escravizados.
A família de Pierre, baseada em Nantes, foi uma das que teve influência no ramo. Seus ancestrais eram donos de navios que transportaram cerca de 4.500 africanos escravizados. Além disso, eles possuíam plantações no Caribe, utilizando mão de obra escrava. Pierre Guillon de Prince afirma que outras famílias francesas também devem reconhecer seus laços com a história da escravidão. Portanto, ele acredita que o Estado precisa ir além de gestos apenas simbólicos.
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Ação Contra o Silêncio e o Racismo
Pierre Guillon de Prince explicou sua motivação. Ele não quer que o passado seja esquecido, especialmente com o racismo em alta hoje. Ele se sente responsável por passar a história da família para seus netos. Assim, ele ajuda a manter a lembrança. De fato, esta é uma forma de combater o apagamento da história.
Seu pedido de desculpas por escravidão ocorreu durante um encontro em Nantes. O evento também marcou a inauguração de uma réplica de um mastro de navio. Ao lado de Pierre, estava Dieudonné Boutrin, descendente de pessoas escravizadas na Martinica. Os dois trabalham juntos na associação Coque Nomade-Fraternité. O objetivo da associação é "quebrar o silêncio" sobre a escravidão. Eles veem o mastro como um farol de humanidade, um símbolo para a memória.
Dieudonné Boutrin, de 61 anos, elogiou a atitude de Pierre. Ele disse que muitas famílias com antepassados traficantes de escravos têm medo de se manifestar. Elas temem reabrir feridas antigas ou gerar raiva. No entanto, Boutrin descreveu o pedido de Pierre como um ato de coragem. Adicionalmente, ele ressaltou a importância de enfrentar essa história.
A História do Tráfico Transatlântico
Entre os séculos XV e XIX, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados. Eles foram transportados à força, principalmente em navios europeus. A França, por exemplo, traficou cerca de 1,3 milhão de pessoas. Esta é uma parte da história que causa dor e que muitos países ainda precisam enfrentar.
A iniciativa de Guillon de Prince não é a única. Famílias no Reino Unido e em outros lugares já fizeram desculpas formais. Algumas dessas desculpas incluem compromissos para ajudar a reparar os danos. Desse modo, isso mostra uma tendência de reconhecimento e busca por justiça que cresce. Em suma, é um movimento em todo o mundo.
O Debate sobre Reparações na França
A França reconheceu a escravidão transatlântica como um crime contra a humanidade em 2001. Contudo, o país, assim como a maioria das nações europeias, nunca se desculpou formalmente por sua participação. O presidente francês, Emmanuel Macron, ampliou o acesso a arquivos sobre o passado de colonização. No ano passado, ele anunciou uma comissão para examinar a história com o Haiti. Entretanto, Macron não mencionou a questão das reparações em dinheiro ou compensações.
Os pedidos por reparação estão aumentando em todo o mundo. Eles variam desde desculpas oficiais até compensações em dinheiro diretas. O gesto de Pierre Guillon de Prince pode ser um catalisador para discussões com um alcance maior na França. Afinal, é crucial que a sociedade entenda e lide com seu passado.
