Otan Eleva Gastos Militares em 20% com Olhos na Rússia e Pressão de Trump

Os países da Otan investiram bem mais em defesa no ano de 2025. Um relatório recente da própria aliança militar mostra que os gastos aumentaram 20% em comparação com o ano anterior.

Os países que fazem parte da Otan investiram bem mais em defesa no ano de 2025. Um relatório recente da própria aliança militar mostra que os gastos aumentaram 20% em comparação com o ano anterior. Esse salto nos gastos militares da Otan reflete uma preocupação crescente com a Rússia. A Rússia é vista como uma ameaça cada vez mais próxima, especialmente após quatro anos de conflito na Ucrânia. Além disso, a pressão vinda do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também influenciou essa decisão.

Em 2025, os 32 membros da Otan destinaram um total de 574 bilhões de dólares à defesa. Esse valor representa um aumento real de 20% em relação a 2024. Pela primeira vez, todos os países da aliança cumpriram a meta de gastar pelo menos 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em gastos militares da Otan. Esse objetivo foi estabelecido em 2014, com prazo até 2024. Portanto, a aliança demonstra um compromisso renovado com a segurança coletiva. Ela busca, por conseguinte, reforçar suas capacidades diante do cenário geopolítico atual.

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Aumento Expressivo nos Gastos Militares da Otan

A decisão de elevar os gastos militares da Otan não surgiu do nada. Ela é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles, está a percepção de uma ameaça russa em expansão. O conflito na Ucrânia serviu como um alerta para muitos países europeus. Eles passaram a reavaliar suas próprias defesas. A retomada de uma mentalidade focada na segurança militar se tornou evidente, por exemplo. Dessa forma, a aliança se adapta aos novos tempos.

Pressão de Trump e Novas Metas de Financiamento

Adicionalmente, Donald Trump, durante seu mandato como presidente dos EUA, cobrou insistentemente que os membros da Otan aumentassem suas contribuições. Ele argumentava que a Europa não estava fazendo sua parte. Isso deixava os Estados Unidos com uma carga desproporcional. Sob essa forte pressão, a Otan estabeleceu uma nova e ambiciosa meta no ano passado. Ela visa destinar 3,5% do PIB para gastos estritamente militares até 2035. Somando-se a isso, mais 1,5% deve ser dedicado a despesas relacionadas à segurança. Isso totaliza 5% do PIB. Com efeito, esta nova meta mostra uma mudança significativa na abordagem da aliança em relação aos seus gastos militares da Otan e ao seu futuro estratégico.

Novas Metas e Desafios para a Aliança

Apesar do aumento geral, alcançar a nova meta de 5% representa um desafio considerável para a maioria dos países. No ano passado, apenas três nações conseguiram atingir o patamar de 3,5% em gastos militares da Otan: Polônia, Letônia e Lituânia. Esses países compartilham fronteiras ou proximidade com a Rússia. Eles demonstraram um forte empenho em fortalecer suas defesas. Além disso, a Estônia, outro país báltico, e a Noruega também estão muito próximas desse objetivo. Com isso, observa-se uma tendência regional de maior investimento em segurança.

Expectativas para o Futuro dos Gastos Militares

Mark Rutte, secretário-geral da Otan, expressou sua expectativa no relatório. Ele espera que, na próxima cúpula da aliança, em Ancara (em julho), os aliados “demonstrem que estão em um caminho claro e confiável rumo aos 5%”. Isso sublinha a seriedade com que a Otan vê o cumprimento dessas novas metas. Elas são consideradas essenciais para a manutenção da estabilidade e dissuasão na região. Portanto, a reunião de Ancara será um momento crucial para avaliar o progresso dos membros em relação aos gastos militares da Otan. Aliás, o engajamento dos países será fundamental.

Quem Aumentou e Quem Ficou Para Trás nos Gastos Militares?

Embora todos os países da Otan tenham, de fato, aumentado suas despesas, os gastos militares da Otan ainda mostram variações na proporção do PIB. Por exemplo, os Estados Unidos viram sua porcentagem cair de 3,30% em 2024 para 3,19% em 2025. Em contrapartida, a República Tcheca e a Hungria também apresentaram pequenas reduções. Elas passaram de 2,07% para 2,01% e de 2,21% para 2,07%, respectivamente. Contudo, a França, por sua vez, manteve-se praticamente estável, com 2,05% em 2025. Esse valor é muito próximo dos 2,04% do ano anterior. Ademais, esses dados mostram a complexidade dos orçamentos de defesa.

O Caso da Espanha e as Divergências Internas

Países como Espanha, Portugal, Canadá e Bélgica conseguiram alcançar o objetivo dos 2% do PIB em gastos com defesa. No entanto, a Espanha se destaca por uma posição diferente dentro da aliança militar. O governo de Madri não assumiu o compromisso com a meta mais ambiciosa de 5%. Essa decisão gerou muitas críticas, especialmente de Donald Trump. Ele chegou a responder com ameaças comerciais contra o país. Ainda assim, essa divergência mostra as tensões internas e os diferentes níveis de prioridade que cada membro atribui aos novos objetivos de defesa da Otan. Assim, a discussão sobre o financiamento da segurança continua sendo um ponto importante na agenda da aliança.