Um julgamento coletivo em El Salvador colocou quase 500 pessoas no banco dos réus. Todos são acusados de ligação com a Mara Salvatrucha, conhecida como MS-13, uma gangue que causou muito medo no país por anos. Este processo busca responsabilizar líderes e membros por uma série de crimes graves. Por exemplo, entre as acusações, está o envolvimento na morte de 87 pessoas em um único fim de semana, em março de 2022. Esse episódio marcou o início de uma forte resposta do governo.
O Regime de Exceção e suas Críticas
Logo após a onda de violência de 2022, o presidente Nayib Bukele declarou “guerra” às gangues. Ele pediu ao Parlamento para aprovar um regime de exceção. Portanto, esta medida, em vigor há quatro anos, permitiu a prisão de mais de 91 mil pessoas, segundo dados oficiais. O estado de emergência deu ao governo poderes maiores para deter quem fosse suspeito de ter laços com gangues. Contudo, também suspendeu direitos previstos na Constituição.
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Grupos de direitos humanos, tanto em El Salvador quanto fora do país, criticam essa abordagem. Eles dizem que a medida levou a muitas prisões sem mandado e sem motivo claro. Enquanto os apoiadores de Bukele defendem que a política de segurança deixou El Salvador mais seguro, especialistas da ONU fizeram um alerta. Eles disseram ao governo que “não se pode ignorar o direito a um julgamento justo em nome da segurança pública”. A discussão entre segurança e direitos individuais, no entanto, continua sendo um ponto de tensão no país.
A Enorme Lista de Crimes Atribuídos no Julgamento Coletivo El Salvador
A Procuradoria-Geral da República informou que os acusados neste julgamento coletivo El Salvador respondem por um total de 47 mil crimes. Além disso, esses atos teriam acontecido entre 2012 e 2022. A lista é extensa e inclui cerca de 29 mil homicídios, além de casos de feminicídio e desaparecimentos. Assim, a amplitude das acusações mostra a complexidade e a seriedade do processo. Muitos dos réus são apontados como fundadores e líderes da MS-13, indicando que a justiça mira a cúpula da organização criminosa.
Como o Julgamento Coletivo El Salvador Acontece
A logística deste grande julgamento coletivo El Salvador é desafiadora. A maioria dos réus, 413 para ser exato, participa das audiências de forma virtual. Outros 73 acusados estão foragidos, mas serão julgados mesmo sem estarem presentes. Mais de 250 dos envolvidos já estão detidos no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot). Esta é uma mega-prisão de segurança máxima, construída pelo governo Bukele para membros de gangues. Os demais, entretanto, estão em outras penitenciárias de alta segurança. Um promotor afirmou que este julgamento representa o pagamento de uma “dívida histórica”, responsabilizando a Mara Salvatrucha por todos os seus crimes ao longo de 11 anos.
As Raízes da MS-13 e seu Poder
As gangues MS-13 e Barrio 18, com suas duas facções, surgiram em Los Angeles, nos Estados Unidos, na década de 1980. Com o tempo, elas cresceram e se tornaram organizações transnacionais. No ano passado, os Estados Unidos as classificaram como “terroristas”. Em El Salvador, essas gangues chegaram a controlar 80% do território nacional, segundo o governo. Os acusados no julgamento incluem membros da “ranfla”, a cúpula da MS-13, além de chefes de áreas e fundadores. A expectativa é que o resultado deste processo tenha um impacto duradouro na luta contra o crime organizado no país.
