O controle do Estreito de Ormuz é um tema de discussão importante no Oriente Médio. Autoridades iranianas deixaram claro que não pretendem abrir mão dessa passagem marítima. Um político importante do Irã afirmou que o país manterá sua soberania sobre a passagem. Ele considera isso um direito.
Ebrahim Azizi, um ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e parlamentar, foi direto em sua declaração. Ele disse que o Irã jamais cederá o controle do Estreito de Ormuz, chamando-o de “direito inalienável”. Azizi destacou que o Irã decidirá sobre a passagem de embarcações, incluindo as permissões necessárias para a travessia. Este projeto se baseia no artigo 110 da Constituição. Ele visa formalizar o controle iraniano sobre aspectos ambientais, de segurança marítima e nacional. As forças armadas do país, portanto, terão a responsabilidade de implementar a nova legislação.
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A preocupação global com um possível fechamento desta via navegável estratégica só aumenta. Isso porque tal medida causaria choques econômicos significativos em todo o mundo. O Irã, por sua vez, vê a situação não como uma crise de curto prazo, mas como um cenário de longa duração. A guerra na região, de fato, deu a Teerã o que considera uma nova ferramenta. Azizi descreveu o Estreito de Ormuz, que o Irã conseguiu usar estrategicamente durante este conflito, como “um de nossos trunfos para enfrentar o inimigo”.
A Posição Iraniana sobre o Controle do Estreito de Ormuz
Azizi é uma figura central em um parlamento dominado por uma linha dura. Ele reflete o pensamento de alguns dos principais tomadores de decisão que emergem na nova ordem nascida desta guerra. O conflito, além disso, tornou-se cada vez mais militarizado e dominado por facções mais radicais, principalmente a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Isso ocorreu após uma série de assassinatos de personagens de alto nível em ataques israelenses, intensificando a postura de Teerã.
Teerã agora considera vital sua capacidade de controlar a passagem de tráfego marítimo. Isso inclui petroleiros e navios-tanque de gás, essenciais para a economia global. Para o Irã, essa capacidade não é apenas uma moeda de troca nas negociações atuais, mas também uma alavanca de longo prazo. Mohammad Eslami, pesquisador da Universidade de Teerã, explicou a perspectiva iraniana. “A primeira prioridade do Irã após a guerra é restaurar a dissuasão”, afirmou ele. “E o Estreito de Ormuz está entre as principais alavancas estratégicas do Irã.”
Ele acrescentou que Teerã está aberta a discutir como outras nações podem se beneficiar da nova estrutura iraniana para o Estreito de Ormuz. Contudo, o controle total sobre a passagem é o ponto crucial e não negociável para o país. Assim, a questão da soberania permanece central nas discussões.
O Estreito de Ormuz e as Reações Regionais
Vizinhos do Irã, contudo, rejeitam essa visão de futuro. Eles já estão furiosos com os ataques sofridos em seus territórios durante as cinco semanas de guerra, que agora está em pausa devido a um frágil cessar-fogo temporário. Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, descreveu a situação como “um ato de pirataria hostil” em uma entrevista recente. Ele alertou que, se o Irã se recusasse a abrir mão do controle dessas águas internacionais, isso criaria um “precedente perigoso” para outras vias navegáveis estratégicas ao redor do mundo. Portanto, a tensão na região continua elevada, com implicações significativas para a segurança e o comércio marítimo global.
