Cinquenta anos após o golpe militar que marcou a história da Argentina, o governo atual divulgou um vídeo que reacende o debate sobre a Ditadura Argentina. Este material questiona as versões mais aceitas sobre o período de 1976 a 1983, gerando discussões intensas em todo o país. Vamos entender o que o vídeo apresenta e como ele se encaixa na memória nacional.
O governo publicou um vídeo de mais de uma hora em suas redes sociais. Nele, duas entrevistas chamam a atenção. A principal delas é com Miriam Fernández. Ela era uma criança quando seus pais biológicos, opositores do regime, foram mortos. Famílias ligadas aos militares a adotaram clandestinamente. No vídeo, Miriam defende seus pais adotivos. Ela diz: “Não podem te obrigar a dizer que são seus pais adotivos depois de 40 anos. Eles são meus pais.” Ela acredita que “um pai não é aquele que te traz ao mundo, mas sim aquele que te cria.”
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A Voz de Miriam Fernández
Miriam também pede para “deixar o passado em paz”. Ela argumenta que ninguém vai trazer de volta sua família biológica. A dor que viveu como parte de uma família militar também é um ponto. Após o fim da ditadura, ela afirma ter sofrido preconceito. Isso aconteceu por pertencer a uma família que apoiou o regime da Ditadura Argentina.
Miriam Fernández criticou a Associação Avós da Praça de Maio. Esta associação busca identificar netos biológicos de desaparecidos na ditadura. Ela diz que a associação faz um “trabalho bonito”, mas “mistura política” em suas ações. Além disso, Miriam conta ter sido forçada a fazer um teste de DNA para descobrir sua identidade. Os pais adotivos de Miriam foram presos. O pai recebeu pena por reter e esconder uma menor. A mãe foi coautora. O pai também teve a pena agravada por outros crimes contra a humanidade.
O Legado da Ditadura Argentina e as Marchas
Enquanto o governo divulgava o vídeo, milhares de pessoas foram às ruas em Buenos Aires. Elas marcharam para lembrar as vítimas do golpe. A cada 24 de março, data do aniversário do golpe, o país celebra o Dia da Memória. O kirchnerismo, por exemplo, sempre lutou para responsabilizar os generais. Estes governaram a Argentina entre 1976 e 1983. Estima-se que a ditadura matou mais de 30 mil opositores. Milhares foram torturados em locais secretos. A ESMA foi um desses centros de tortura. A marcha mostra que a memória sobre a Ditadura Argentina permanece viva para muitos cidadãos.
A divulgação deste vídeo pelo governo Milei não é um fato isolado. Desde que assumiu o cargo, seu governo tem apresentado materiais que relativizam os crimes daquele regime militar. A cada ano, no Dia da Memória, o debate sobre o que realmente aconteceu na Ditadura Argentina ganha novos contornos. Estas ações geram uma polarização na sociedade. De um lado, há quem defenda uma nova leitura da história, buscando “virar a página”. De outro, muitos insistem na necessidade de manter viva a memória das atrocidades. Eles querem garantir que a justiça seja feita e que tais eventos não se repitam.
