A Justiça da Itália deu sinal verde para a extradição de Carla Zambelli ao Brasil, mas a defesa da ex-deputada já avisou que vai lutar contra a decisão. Este caso, que envolve a política brasileira, ganha novos contornos com a possibilidade de recurso. Entenda os detalhes sobre a situação da ex-parlamentar e o futuro de seu processo.
A decisão da corte italiana, divulgada nesta quinta-feira (26), acatou um pedido feito pelo Brasil. Contudo, este não é o ponto final na disputa. Segundo fontes ligadas ao processo diplomático, ainda cabe recurso à Corte de Apelações. Além disso, o Ministro da Justiça italiano precisa dar seu aval para que a extradição se concretize. Zambelli, que tem cidadania italiana, está presa na Itália desde 29 de julho de 2025.
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O que acontece agora com a Extradição de Carla Zambelli?
Após a Justiça italiana aceitar o pedido de extradição, a defesa de Carla Zambelli confirmou que vai recorrer. Este recurso será direcionado à Corte de Apelações, buscando reverter a decisão inicial. Este procedimento legal é comum e pode estender o tempo do processo.
A ex-deputada está detida em um presídio perto de Roma. A unidade abriga mulheres em regimes de segurança média e alta. Curiosamente, o local sofre com superlotação, abrigando 371 mulheres, apesar de ter capacidade para 272. Durante seu período na prisão, Zambelli já manifestou o desejo de ser julgada na Itália, afirmando que provaria sua inocência sobre a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A Justiça italiana, por sua vez, decidiu mantê-la presa durante o julgamento. Eles consideraram que existe um risco de fuga. Portanto, mesmo com a decisão favorável à extradição, o caminho legal ainda apresenta etapas importantes antes de uma conclusão definitiva.
Histórico do Caso: Por que Carla Zambelli está foragida?
A situação de Carla Zambelli começou a se complicar no Brasil após uma série de eventos. O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro ordenou a cassação de seu mandato em dezembro, revogando uma decisão anterior da Câmara dos Deputados. Três dias depois, ela entregou uma carta de renúncia à Casa.
A ex-parlamentar foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão. A acusação é de invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a condenação, Zambelli fugiu para a Itália, sendo considerada foragida da Justiça brasileira. Antes de se mudar para a Itália, ela também passou pelos Estados Unidos, o que demonstra uma tentativa de evitar a prisão no Brasil.
O processo da extradição de Carla Zambelli enfrentou diversos obstáculos e atrasos. Houve quatro adiamentos de audiências. Em uma delas, no fim de novembro, a defesa de Zambelli aderiu a uma greve de advogados em Roma. Na audiência seguinte, seus advogados apresentaram novos documentos à corte, buscando fortalecer sua argumentação contra a entrega ao Brasil.
Argumentos da Defesa e Condições de Detenção
Durante a primeira audiência, em 4 de dezembro, a defesa de Zambelli apresentou vários argumentos para que ela não seja extraditada. Um dos pontos levantados foi a situação carcerária no Brasil, que a defesa descreve como precária. Este é um argumento comum em processos de extradição, visando proteger os direitos do extraditando.
Contrariando os argumentos da defesa, a documentação brasileira informa as condições de detenção caso a ex-deputada seja extraditada. Ela ficaria presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. Os documentos brasileiros detalham as condições do local, buscando assegurar que os padrões de direitos humanos serão respeitados. A decisão final sobre a extradição de Carla Zambelli ainda depende de desdobramentos na Justiça italiana e da aprovação do Ministro da Justiça do país.
