A recente eleição na Hungria trouxe um resultado que mudou o cenário político do país. Viktor Orbán, primeiro-ministro por 16 anos, admitiu a derrota para a oposição. O pleito deste domingo (12) mostrou a ascensão do partido Tisza. Assim, a nova legenda conquistou a maioria das cadeiras no Parlamento, encerrando uma era de governo de direita nacionalista.
A apuração oficial indica que o partido de oposição Tisza deve ficar com 135 das 199 cadeiras do Parlamento. Isso acontece após a contagem de 45,71% dos votos. Orbán, líder do partido Fidesz, vê sua legenda com apenas 57 assentos, por exemplo. O Mi Hazánk, outro partido, garantiu 7 cadeiras. Este resultado da eleição na Hungria é, nas palavras de Orbán, “claro e doloroso”. Portanto, ele marca o fim de um longo período de poder.
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O Fim de uma Era na Política Húngara
Viktor Orbán dominou a política húngara por quase duas décadas. Eleito primeiro-ministro em 1998 para um mandato de quatro anos, ele retornou ao poder em 2010 com uma vitória expressiva. Desde então, permaneceu no cargo. Seu partido, o Fidesz, construiu uma ampla maioria no Parlamento. Isso permitiu grandes mudanças. Por exemplo, o Fidesz reescreveu a Constituição do país e aprovou leis. O objetivo era criar uma “democracia cristã iliberal”.
As políticas de Orbán geraram muitas discussões. Ele restringiu a liberdade de imprensa e enfraqueceu o poder do Judiciário. Além disso, limitou os direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+. Contudo, suas medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora garantiram um forte apoio popular.
Atritos com a União Europeia e Mudanças
Esta linha de governo causou atritos com a União Europeia. A UE, por sua vez, chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria. A razão era a violação de padrões democráticos. Orbán havia vencido as quatro últimas eleições parlamentares na Hungria com facilidade. A oposição, muitas vezes dividida, e o controle político exercido pelo primeiro-ministro ajudaram a consolidar esses resultados.
A Ascensão de Péter Magyar na Eleição na Hungria
No entanto, o cenário mudou drasticamente neste ano. A economia da Hungria estava estagnada há três anos. Acusações de enriquecimento de uma elite ligada ao governo minaram a força de Orbán internamente. Nesse contexto, Péter Magyar, um ex-aliado de Orbán, ganhou destaque. Magyar agora lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza. Sua performance na eleição na Hungria foi surpreendente.
Ele afirmou ter se inspirado em Orbán no início de sua carreira. Porém, ele se afastou do antigo líder e começou a denunciar corrupção no governo. Consequentemente, trocou de partido. Magyar conquistou apoio ao prometer uma reaproximação com a União Europeia e com aliados ocidentais. Esta postura, aliás, Orbán havia combatido nos últimos anos.
Além disso, Magyar também buscou o apoio de eleitores conservadores. Ele defende a manutenção de valores tradicionais, mas com uma visão mais aberta para o futuro do país. A participação dos eleitores neste pleito foi recorde, atingindo 66%. As urnas foram fechadas às 14h de domingo (12) no horário de Brasília. Com o avanço da apuração, Péter Magyar confirmou que o próprio Viktor Orbán o parabenizou pela vitória nas eleições. Este gesto sela a transição de poder na eleição na Hungria.
