Brasileiros no Líbano vivem um cenário de guerra, forçados a deixar suas casas. Bombardeios recentes em diversas regiões do país, incluindo áreas de Beirute, causaram uma fuga em massa. Famílias brasileiras agora se abrigam em carros e escolas, buscando segurança diante da escalada do conflito. A situação humanitária é crítica e exige atenção.
Romilda Salman é um exemplo dessa realidade que afeta os brasileiros no Líbano. Ela e sua família, após 25 anos morando no Líbano, tiveram que sair às pressas na madrugada de 2 de março. Bombas acordaram a todos por volta das 2h30 ou 3h. Houve muita gritaria e confusão na cidade. Romilda é uma das mais de 1,2 milhão de pessoas deslocadas pelo confronto entre Israel e Hezbollah. Este número representa cerca de um quinto da população local. A ONU já registrou ao menos mil mortes no país. O Itamaraty informa que 22 mil brasileiros residem no Líbano.
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A Crise Humanitária dos Brasileiros no Líbano
As autoridades emitem ordens de deslocamento antes ou durante os ataques. Moradores precisam sair de áreas sob risco de bombardeio. Isso ocorreu em partes significativas do sul do Líbano, em Beirute e no Vale do Bekaa. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que os moradores do sul do Líbano não devem voltar. Ele disse: “Não retornarão ao sul do rio Litani até que a segurança dos moradores do norte de Israel seja garantida”. Esta fala agrava ainda mais a incerteza para quem já perdeu tudo.
A Realidade nos Abrigos e o Alerta da ONU
A ONU relata que 472 prédios educacionais servem hoje como abrigos coletivos. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) classificou a situação do Líbano como “uma profunda crise humanitária”. A agência alerta para o risco de uma catástrofe regional. O conflito começou em 28 de fevereiro, após o grupo Hezbollah lançar foguetes contra Israel. Israel revidou, atacando diversas regiões libanesas e enviando soldados ao sul do país vizinho. Este cenário traz famílias vivendo em barracas, carros e abrigos, sem saber quando poderão retornar para suas casas.
Histórias de Resiliência entre os Brasileiros no Líbano
Muitos brasileiros no Líbano compartilham relatos emocionantes. Romilda Salman, por exemplo, conheceu seu marido libanês Housni no Brasil. Eles se casaram e tiveram um filho, Mohammad, de 26 anos. Mais tarde, mudaram-se para o Líbano, onde nasceu Carolina, de 23. Naquele dia do ataque, a família precisou fugir do apartamento em Haret Hreik, um subúrbio de Beirute. Eles sabiam que a volta não seria rápida. Então, dividiram-se: Mohammad foi de moto e Carolina dirigiu o carro. O trânsito era intenso.
Os filhos queriam que a mãe saísse o mais rápido possível. Mohammad sugeriu que Romilda fosse com ele na moto, pois seria mais rápido. Mas Romilda recusou. Ela disse: “Não. Se eu morrer, quero morrer com a minha filha”. Esta frase resume o desespero e a união das famílias diante do perigo. A incerteza paira sobre a vida de milhares de pessoas, incluindo muitos brasileiros que agora dependem de ajuda humanitária e da esperança de um fim para a violência. Portanto, a comunidade internacional observa com preocupação a situação dos brasileiros no Líbano e dos demais deslocados.
