Violência contra profissionais da saúde cresce na região de Campinas

Casos de violência contra profissionais da saúde em Campinas aumentaram quase 40% nos últimos anos, gerando preocupação e impacto direto no dia a dia dos trabalhadores da saúde.

A violência contra profissionais da saúde na região de Campinas preocupa autoridades e trabalhadores. Nos últimos anos, os casos de agressão aumentaram muito. Isso gera um ambiente de trabalho mais perigoso para quem cuida da população. Dados recentes mostram um crescimento de quase 40% nos registros. Isso acende um alerta sobre a segurança nas unidades de saúde.

Aumento preocupante da violência contra profissionais da saúde

Os números da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) mostram um cenário alarmante. Em 2024, foram 159 boletins de ocorrência de violência contra profissionais da saúde. Contudo, em 2025, esse número subiu para 222. Ou seja, houve um aumento de 39,6%. Estes registros incluem situações onde a vítima é um profissional de saúde, agredido durante o expediente.

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Este cenário afeta diretamente o dia a dia das equipes. Recentemente, funcionários do Centro de Saúde (CS) Centro, em Campinas, paralisaram suas atividades. Eles protestaram contra um episódio de violência que ocorreu na unidade. O caso envolveu uma mulher em surto e seu acompanhante. O acompanhante danificou um monitor de atendimento. O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (STMC) confirmou o ocorrido.

Para Juliana Machado, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Campinas (SinSaúde), os prontos-socorros são os locais onde a maioria das agressões acontece. Segundo ela, a sobrecarga de trabalho, a superlotação e a falta de materiais contribuem para essa situação. A pressão sobre os profissionais é grande. Por isso, muitas vezes eles se tornam o alvo da frustração de pacientes e acompanhantes.

As causas da crescente violência contra profissionais da saúde

A rotina em hospitais e clínicas exige muito dos profissionais. Contudo, as condições de trabalho nem sempre são ideais. A falta de infraestrutura, a escassez de medicamentos e a demora no atendimento são problemas que geram insatisfação. Essa insatisfação, infelizmente, muitas vezes se transforma em agressão. Ela é direcionada a quem está na linha de frente.

Juliana Machado explica que a sobrecarga é um fator crucial. Em ambientes de emergência, onde a demanda é alta e os recursos são limitados, a tensão aumenta. A falta de materiais ou a impossibilidade de realizar certos procedimentos podem desencadear reações violentas. Além disso, a dificuldade em conter situações de crise por falta de preparo ou equipe adequada agrava o problema.

Os profissionais de enfermagem, por exemplo, são frequentemente os primeiros a lidar com a população. Eles absorvem a maior parte das queixas. Problemas como a demora para ser atendido, regras da unidade ou questões administrativas acabam sendo direcionados a eles. Isso cria um ambiente de trabalho estressante e perigoso para quem atua na saúde.

Deixando a profissão por causa da violência

A advogada Juliana Alves de Andrade é um exemplo do impacto dessa situação. Ela trabalhou por 19 anos como técnica de enfermagem. No entanto, decidiu mudar de carreira. A razão foi a pressão constante e a exposição à violência nas unidades de saúde. Ela conta que os enfermeiros e técnicos são a linha de frente. Assim, todos os problemas do atendimento de saúde acabam recaindo sobre eles.

Juliana presenciou diversos episódios de agressão. O mais grave que ela viu foi um ataque físico a um colega. Um acompanhante de paciente agrediu o profissional. A agressão ocorreu após o colega negar a entrada na unidade, seguindo as regras do local. O acompanhante rasgou a roupa do profissional e o agrediu. Ela relata que nunca havia visto uma agressão física tão séria até aquele momento.

Hoje, Juliana alerta quem pensa em seguir a carreira de técnico de enfermagem. Ela descreve a profissão como “maravilhosa”, mas também como uma “profissão de doação”. Ela aconselha que as pessoas pensem bem no que buscam para a vida antes de escolher essa área. O custo pessoal da violência contra profissionais da saúde e do estresse pode ser alto.

A busca por mais segurança e apoio para profissionais da saúde

Aumentar a segurança nas unidades de saúde é fundamental. A proteção dos profissionais é essencial para garantir um bom atendimento à população. Medidas como a presença de mais seguranças, treinamentos para lidar com situações de crise e a melhoria das condições de trabalho podem ajudar. Além disso, é importante que as autoridades investiguem e punam os agressores.

A violência contra profissionais da saúde não é um problema isolado. Ela reflete questões maiores na saúde pública. É preciso um esforço conjunto de governos, gestores e sociedade para mudar esse cenário. Somente assim será possível garantir um ambiente de trabalho seguro para quem se dedica a cuidar da vida dos outros.